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Medidas de confinamento evitaram sobrecarga do SNS em abril, conclui estudo da Escola Nacional de Saúde Pública

28 maio 2020 8:35

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MÁRIO CRUZ/LUSA

De acordo com a análise de dados do primeiro mês de epidemia, as medidas de confinamento adotadas contribuíram para que, durante os primeiros quinze dias de abril, Portugal registasse menos 146 mortes e 519 internamentos em unidades de cuidados intensivos

28 maio 2020 8:35

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O confinamento salvou vidas, conclui a Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP). Se o país não tivesse entrado em estado de emergência, as unidades de cuidados intensivos dos hospitais do SNS teriam tido que atender, nos primeiros quinze dias de abril, 748 doentes graves com covid-19, valor três vezes superior aos 229 cidadãos que efetivamente precisaram deste tipo de cuidados, avança o “Público” esta quinta-feira. Ou seja, não existiriam camas nos cuidados intensivos para todos os doentes.

Estes números constam de um estudo da ENSP, que analisou não só o impacto do confinamento imposto pela pandemia de covid-19 em Portugal, mas também o timing e a adesão dos portugueses ao isolamento social.

De acordo com o estudo, as medidas de confinamento adotadas contribuíram para que, no período analisado, Portugal registasse menos 5.568 casos de covid-19, menos 146 mortes e menos 519 internamentos em unidades de cuidados intensivos do que seria de esperar se não tivesse sido decretado o estado de emergência.

Para chegar a estes números, a equipa da ENSP analisou os dados do primeiro mês de epidemia, março, e o impacto que as medidas impostas em meados desse mês tiveram passados quinze dias.

“Projetamos o que teria acontecido até ao dia 15 de abril sem as medidas de isolamento e comparamos com o que realmente aconteceu. O que concluímos é que houve um achatamento da curva dos casos e dos óbitos. Se o que vimos em março tivesse continuado em abril, teríamos números mais altos em vários indicadores. Felizmente, não foi isso que aconteceu porque as medidas de confinamento começaram a ter o seu impacto”, explicou Alexandre Abrantes, docente na ENSP e um dos autores do estudo, ao jornal.