Sociedade

Covid. “Já não vivo um dia de cada vez, vivo uma hora de cada vez”: a vida de um casal com filhos autistas que está “nos limites das forças”

14 maio 2020 22:22

d.r.

É uma família de sete pessoas, pais mais cinco filhos, dois dos quais autistas, um dos quais profundo (é, nas palavras da mãe, um “bebé gigante”, com 1,80 metros e quase cem quilos). O confinamento e a impossibilidade de qualquer apoio social e institucional nesta fase agravaram os sintomas de Pedro e de David. Os pais, professores, revezam-se para dar aulas e para que a escola à distância dos restantes filhos não sofra interrupções. “Estamos no limite das forças”, diz a mãe ao Expresso

14 maio 2020 22:22

“Já não vivo um dia de cada vez, vivo uma hora de cada vez.” Sílvia Marques di-lo ao telefone ao Expresso, desde o Funchal, às 22h30, enquanto David e Pedro dormem o sono dos justos e ela ganha coragem para preparar mais um dia — o seguinte. Hora a hora, vai construindo estes dias, desde que a quarentena começou a 13 de março. O leitor perguntará em que é que a situação desta professora de Filosofia do secundário difere da de tantos outros docentes, também desafiados a dar aulas em confinamento. A resposta é: provavelmente tudo. Sílvia Marques é professora mas é também mãe de cinco filhos, dois dos quais autistas, um dos quais autista profundo. E estar dois meses em quarentena desencadeou de novo o terramoto que ao longo de duas décadas ela e o marido, Paulo, aprenderam a conter.