Sociedade

Em 2019, houve 65 casos por dia de violência doméstica

14 abril 2020 0:01

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

A solidão tem efeitos negativos e pode potenciar a violência doméstica

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O mais recente relatório da APAV regista uma subida generalizada dos crimes. Há mais mulheres, homens, crianças e idosos a pedir ajuda

14 abril 2020 0:01

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) registou mais de 54 mil atendimentos que permitiram, em 2019, acompanhar mais de 11 mil vítimas. O total de crimes e outras formas de violência assinalados ultrapassou os 29 mil, tendo-se registado um aumento de 40% do total face a 2018.

A APAV dá especial relevo aos crimes de violência doméstica, que representam 79% das queixas que chegaram àquela associação. Isto dá uma média diária de 65 pessoas alvo deste tipo de crime (23,5 mil). Um número superior ao de 2018, ano em que se registaram 15,9 mil casos. Estes são alguns dos principais dados do último relatório da APAV relativo a 2019.

As polícias e os amigos e vizinhos continuam a ser os principais canais de acesso à APAV, para além da própria vítima. Tal como aconteceu em anos anteriores, a maioria das vítimas continua a ser do sexo feminino (80,5%), com idades compreendidas entre os 25 e os 54 anos de idade (36,6%). Já em termos académicos, e tendo em conta os dados que foi possível recolher, o ensino superior (6,3%) foi o grau de ensino mais referenciado, seguindo-se o ensino secundário (4,6%).

As 11.676 vítimas assinaladas em 2019, foram alvo de 11.836 autores de crime. "Destes/as, cerca de 66% eram do sexo masculino e tinham idades compreendidas entre os 35 e os 54 anos (18,2%)", refere o relatório da APAV.

Embora em número inferior, as vítimas do sexo masculino são superiores às de 2018, passando de 1576 casos para 2066. Também se deu um aumento das vítimas mais jovens: no ano passado a APAV registou 1473 casos, contra os 941 de há dois anos. Foi ainda possível apurar que as relações de intimidade (45,4%) entre autor do crime e vítima foram as mais encontradas.

"O tipo de vitimação continuada continua a prevalecer e os locais do crime mais referenciados para a ocorrência da vitimação foram a residência comum (51,2%), a residência da vítima (16%) e o lugar/via pública (12,1%). Em cerca de 42% das situações foi formalizada uma queixa junto de pelo menos uma entidade policial.