Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

Tratamento em casa? "Temos os instrumentos certos, só temos de os saber pôr em funcionamento"

7 Abril 2020 18:59

Getty

Projetos Expresso. A segunda conferência do ciclo "A importância de sermos tratados em casa", que junta Expresso, Takeda e a Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares, realiza-se amanhã (8 de abril) com o foco colocado na importância da continuidade dos tratamentos em doentes crónicos

7 Abril 2020 18:59

Helena Farinha não deixa margem para eufemismos. "O momento em que vivemos atualmente expõe as fragilidades dos vários sistemas de apoio ao cidadão. Todos os dias se reinventam abordagens para garantir que o acesso aos bens mais básicos se mantém", refere a coordenadora dos Serviços Farmacêuticos do Hospital Egas Moniz e secretária da Ordem dos Farmacêuticos.

"De súbito", continua, "deparamo-nos com imensos doentes que se acompanham à distância, tudo na redoma do domicílio, lares ou instituições cuidados primários". O que implica o desenvolvimento acelerado de serviços como teleconsultas, renovações terapêuticas, envio de medicação para casa ou diagnósticos rápidos.

Conseguir acompanhar diariamente os doentes tratados em casa é fulcral para o alívio de hospitais sobrecarregados com a pandemia e vai ser o tema de grande discussão da segunda conferência do ciclo "A importância de sermos tratados em casa". O debate - que pode seguir em direto amanhã (8 de abril) na página Facebook do Expresso - junta alguns especialistas que trabalham em contra-relógio para garantir que a qualidade dos cuidados de saúde se mantém.

"Temos os instrumentos certos, só temos de os saber pôr em funcionamento", aponta a médica Coordenadora da Unidade de Hospitalização Domiciliária do Hospital Garcia da Horta, Rita Nortadas. A clínica fala de um país "com um sistema de saúde de enorme qualidade" mas onde " nas últimas décadas se criou uma dependência excessiva do internamento hospitalar sem que tenham sido criadas ou desenvolvidas adequadamente vias alternativas".

Rita Nortadas utiliza o exemplo da unidade que dirige para explicar que o nível do tratamento domiciliário não fica a dever ao hospitalar. "São doentes que exigem cuidados de nível hospitalar, pelo que se mantêm com acompanhamento da equipa médica e de enfermagem as 24 horas do dia e 7 dias por semana". O que facilita numa fase em que "ninguém tem dúvidas de que as camas dos hospitais têm de ser para os doentes mais graves que não têm estabilidade clínica que lhes permita ser tratados em casa".

Humanização

Ainda existe "alguma confusão entre cuidados domiciliários, hospitalização domiciliária, cuidados integrados e cuidados paliativos", explica Helena Farinha, porque "todos têm âmbitos diferentes". Todos devem implicar uma "melhoria dos cuidados de proximidade" e a responsável acredita que "a humanização dos cuidados também passa por aí, conhecermos os doentes, o seu ambiente, a sua família".

Entre os exemplos de tratamento domiciliário em que o sector farmacêutico está diretamente envolvido, destacam-se as iniciativas que "envolvem os serviços farmacêuticos hospitalares (por exemplo, no Hospital de São João, no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra e no Hospital Garcia de Orta) ou o Serviço de Assistência Farmacêutica (SAFE) "para entrega de medicamentos urgentes ao domicílio, em funcionamento no distrito de Bragança e no concelho Loures e agora alargado a todo o território nacional".

Perante as "necessidades não satisfeitas entre a população que vive com doença crónica", faz sentido uma abordagem multi e interdisciplinar, como padrão de qualidade no cuidado,"O sucesso", defende Helena Farinha, "residirá na nossa aptidão em aproveitar a capacidade instalada e promover a articulação desejada, com apoio do digital."

Já Rita Nortadas não esconde "que existe alguma resistência, não propriamente à implementação em maior escala, mas à aceitação deste novo modelo por parte de alguns pares". Questões como a inexistência de "subsídios para o cuidador que tem o familiar internado em casa" também merecem reparos, mas a médica está confiantes nos passos que a transição está a dar. "O sistema de saúde tem de ter a capacidade de se adaptar às mudanças dos tempos e às novas exigências; assim como o hospital tem de ter a capacidade de se aproximar da comunidade e das necessidades das pessoas".

Acompanhe os próximos dois debates do ciclo "A importância de sermos tratados em casa" em direto no Facebook do Expresso e aproveite para saber tudo sobre as grandes conclusões de cada conferência no site do jornal Expresso