Sociedade

Adiada sentença sobre homicídio de triatleta devido a “alteração não substancial dos factos”

10 janeiro 2020 15:02

Helena Bento

Helena Bento

Jornalista

António Joaquim, arguido no processo do homicídio do triatleta Luís Grilo, à chegada para a leitura do acórdão do processo dos suspeitos do homicídio, no Tribunal de Loures

mário cruz/lusa

Juíza concede à defesa dos arguidos Rosa Grilo e António Joaquim 15 dias para se poderem pronunciar sobre a nova matéria

10 janeiro 2020 15:02

Helena Bento

Helena Bento

Jornalista

A leitura da sentença do caso de homicídio do triatleta Luís Grilo, prevista para esta sexta-feira, foi adiada. O adiamento deve-se a uma alteração não substancial dos factos no processo - as defesas dos arguidos Rosa Grilo e António Joaquim não prescindiram de analisar a nova matéria e a juíza concedeu-lhes 15 dias.

À saída do Tribunal de Loures, a advogada de Rosa Grilo, Tânia Reis, esclareceu que as defesas podem agora "requerer mais produção de prova" - como por exemplo a audição de testemunhas -, o que pode levar à reabertura da audiência e a "novas alegações finais".

Se se confirmarem estes novos passos, só depois das alegações finais será agendada nova data para a leitura do acórdão.

Confrontada com a possibilidade de este adiamento poder significar que há uma maior hipótese de a sua cliente ser absolvida, Tânia Reis admitiu uma "nova esperança", mas ressalvou que só poderá responder à pergunta "depois de conhecer a matéria de facto", a qual ainda não conhecia na totalidade.

A viúva de Luís Grilo, Rosa Grilo, terá de regressar à cadeia, enquanto que António Joaquim vai aguardar em liberdade - saiu no início de dezembro do regime de prisão preventiva para a mais leve das medidas de coação: termo de identidade e residência.

Foi pedida autorização para que Renato Grilo, filho de Rosa e Luís Grilo, assistisse à leitura da sentença, mas esse pedido foi recusado com a justificação de que tal "causaria danos à sua dignidade".

Advogado de António Joaquim recusa novos meios de prova

O advogado de António Joaquim disse à saída do tribunal que “a decisão já está tomada” e que não tem dúvidas de que o arguido “vai ser absolvido”.

Ricardo Serrano Vieira revelou que não teve oportunidade de ler na sua totalidade o despacho que dita o adiamento, mas adiantou que não irá requerer novos meios de prova.

O advogado especificou que pode haver uma questão técnica na sentença relacionada com a posse de arma proibida por parte do seu constituinte, visto que o novo regime de armas permite que, “até março, quem tem armas as possa apresentar voluntariamente”.

“O meu cliente não o pôde fazer porque esteve preso e entretanto a arma continua apreendida”, notou.

Ricardo Serrano Vieira voltou a sublinhar que o alegado amante de Rosa Grilo sempre se declarou inocente e que, “desde que o processo esteve disponível para a defesa”, percebeu que a acusação “tinha falhas gravíssimas”.

Na acusação, o Ministério Público atribui a António Joaquim a autoria do disparo sobre Luís Grilo, na presença de Rosa Grilo, no momento em que o triatleta dormia no quarto de hóspedes na casa do casal, na localidade de Cachoeiras, Vila Franca de Xira, em julho de 2018.

Notícia atualizada às 16h00