Sociedade

Mau tempo tirou 354 pessoas de casa. O pior já passou, mas subida do Mondego continua a preocupar

22 dezembro 2019 19:01

paulo novais/lusa

Houve 11.500 ocorrências registadas pela Proteção Civil, dois mortos e 144 desalojados. Estes são os números que dão conta das consequências da passagem das depressões Elsa e Fabien por Portugal. Neste domingo, ainda há 354 pessoas deslocadas, mas a tendência é para que a situação melhore. Mondego continua a ser o caso que exige mais precaução

22 dezembro 2019 19:01

Terminadas as passagens por Portugal das depressões Elsa e Fabien, que levaram ao registo de 11.500 ocorrências junto da Proteção Civil, a tendência é para a situação melhorar. Um pouco por todo o país, as linhas de circulação de comboios estão a voltar a funcionar normalmente e as pessoas que estavam deslocadas das suas casas começam a regressar, prevendo-se que o número de desalojados baixe ainda este domingo, embora a situação continue a ser de alerta no distrito de Coimbra.

Neste momento, adianta ao Expresso a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, mantém-se o número de desalojados - 144, como no sábado - e há 354 pessoas deslocadas das suas casas, um valor que “vai decerto reduzir-se ao longo do dia”. “Muitas aldeias foram preventivamente evacuadas, por precaução”, explica o comandante Miguel Oliveira, oficial de operações, acrescentando que na maior parte dos casos as evacuações aconteceram no distrito de Coimbra.

Foi, aliás, em Coimbra que se registaram as consequências mais graves do mau tempo durante o fim de semana, com os níveis do caudal do rio Mondego a subirem acima dos níveis de segurança e até dos níveis atingidos nas cheias de 2001, as maiores de que há memória naquela zona. A situação em Coimbra continua a ser a mais complexa do país, mas “o nível do rio tem tendência para descer” ao longo deste domingo. “Será preciso mais algum tempo para regressar à normalidade”, explica o comandante.

A situação das cheias no baixo Mondego continua a preocupar as autoridades, que se deverão manter atentas nas próximas semanas, segundo adiantava este domingo à Lusa Carlos Luís Tavares, Comandante Operacional Distrital de Coimbra. A boa notícia é que as previsões meteorológicas são “favoráveis” para os próximos dias, sem chuva, o que ajudará a baixar o caudal do rio para valores de 1700 a 1800 metros cúbicos por segundo - no sábado chegou aos 2200 metros cúbicos, acima do valor de segurança, que é de 2000.

Não significa que a subida já esteja resolvida, depois de um dique se ter rompido no sábado, na margem direita do Mondego, onde a situação é, segundo o presidente da Câmara de Montemor-o-Velho, Emílio Torrão, “altamente preocupante”. Uma rutura na margem esquerda seria, no entanto, mais grave, uma vez que é ali que se situam as povoações e habitações que poderiam ser postas em risco pelas cheias - na margem direita, a água corre sobretudo para terrenos agrícolas - e é essa a situação que está a ser monitorizada, temendo-se que os diques junto às casas sejam os próximos a ceder.

No sábado, 250 pessoas chegaram a ser retiradas de casa em Montemor-o-Velho. Segundo dados avançados pela Lusa, ainda há cerca de 200 que se mantêm acolhidas em instituições de localidades próximas. Já os deslocados das nove povoações de Coimbra que foram evacuadas durante a tarde de sábado puderam regressar, disse o município, em comunicado.

Comboios circulam, mas com limitações

Por outro lado, há também vias de circulação a serem restabelecidas neste domingo, como é o caso da Linha do Norte. Os comboios que fazem o percurso entre Porto e Lisboa, e que tinham sido interrompidos no sábado, retomaram o funcionamento normal esta tarde, embora com condicionamentos quanto à velocidade no troço entre Ameal Sul e Alfarelos, que no sábado estava submerso.

Da mesma forma, na Linha do Douro a circulação de comboios entre a Régua e Marco de Canaveses foi restabelecida, segundo uma informação da Infraestruturas de Portugal. A linha tinha sido interrompida devido à queda de uma barreira e de uma “pedra de grandes dimensões”.

Tempo melhora no Natal

A tendência será para o tempo melhorar a partir deste domingo. Segundo as previsões do Instituto Português do Mar e da Atmosfera, as condições meteorológicas serão mais favoráveis daqui para a frente e só a agitação do mar no norte e no centro continuará elevada até ao meio da manhã de segunda-feira. Entretanto, este domingo, a previsão é a de que a intensidade do vento diminua e de que a precipitação seja fraca e se concentre nas regiões norte e centro.

Já mais perto do Natal, a partir de segunda-feira, o céu ficará genericamente pouco nublado e haverá hipótese de chuva fraca mas, de novo, apenas no norte e no centro. As zonas costeiras de Coimbra, Aveiro, Porto, Braga e Viana do Castelo, que estiveram até ao meio-dia deste domingo sob aviso vermelho - o mais grave numa escala de quatro -, passaram entretanto a aviso laranja.