Sociedade

Pardal Henriques já foi motorista? André Almeida é militante do PS? Quem é o líder da FECTRANS? Quem é quem na greve dos motoristas

8 agosto 2019 18:46

Eis os nomes a ter em mente na discussão sobre a greve dos motoristas de matérias perigosas marcada para a próxima semana

8 agosto 2019 18:46

Pedro Pardal Henriques

Pedro Pardal Henriques

Pedro Pardal Henriques

nuno botelho

O principal rosto da paralisação, dono de um Maserati que deixou de conduzir após ter sido barrado na autoestrada (contou ao Expresso), vice-presidente e porta-voz do Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP), e cabeça de listas às eleições legislativas pelo círculo de Lisboa, em representação do Partido Democrático Republicano (PDR), iniciativa política de Marinho e Pinto.

Pardal Henriques nunca foi motorista de camiões, mas tem um irmão que é; ao que consta, entrou no SNMMP por convite. Desde abril, passou de desconhecido à ribalta mediática. Na quarta-feira à noite, lançou um apelo nas redes sociais para que o motoristas de matérias perigosas “recusem o trabalho suplementar”.

André Matias de Almeida

André Matias de Almeida

André Matias de Almeida

Advogado na sociedade Albuquerque & Almeida, porta-voz da Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (ANTRAM), e militante do PS (apurou o “Polígrafo”). Tal como Pardal Henriques, André Almeida é um dos principais rostos da greve que ameaça parar o país. Nos últimos meses, o representante da ANTRAM entrou em conflito direto com o porta-voz do SNMMP por diversas vezes. No início da semana passada, anunciou que ia avançar com um processo legal contra o advogado.

De acordo com o “Polígrafo” esta quinta-feira, André Almeida foi nomeado para dois cargos políticos pelo atual governo: em maio de 2017, para o cargo de presidente do Conselho Geral do Fundo Autónomo à Concentração e Consolidação de Empresas (FACCE); em julho do mesmo ano, para presidente do Conselho Geral do Fundo Imobiliário Especial de Apoio às Empresas (FIEAE). As duas nomeações foram efetuadas pelo então Secretário de Estado da Indústria, João Vasconcelos.

Anacleto Rodrigues

Anacleto Rodrigues

Anacleto Rodrigues

Secretário da Assembleia Geral e porta-voz do Sindicato Independente dos Motoristas de Mercadorias. Anacleto Rodrigues é motorista de pesados, já afirmou publicamente; na página da internet do SIMM, nenhuma informação biográfica é discriminada, além do nome e posição na estrutura sindical.

Apesar de não ter um papel tão preponderante como Pardal Henriques na paralisação, o representante do SIMM manifestou, ainda ontem, que a estrutura sindical ia “impugnar os serviços mínimos” decretados pelo Governo. "O Executivo, em detrimento de sair em defesa dos trabalhadores, saiu em defesa dos grandes grupos económicos", afirmou.

José Manuel Oliveira

José Manuel Oliveira

José Manuel Oliveira

Porventura, o nome menos conhecido. O Presidente da Federação dos Sindicatos dos Transportes e das Comunicações (FECTRANS) tem feito de porta-voz da organização sindical, nas poucas vezes que esta se pronunciou publicamente. (Recorde-se: dos três sindicatos, a FECTRANS é o único a não aderir à greve marcada para o início da próxima semana.) O currículo profissional de José Oliveira não é público.

Pedro Nuno Santos

Pedro Nuno Santos

Pedro Nuno Santos

O ministro com a “bomba” da greve nas mãos, o negociador por excelência do Governo. Pedro Nuno Santos entrou em cena em abril passado; na época, precisou de 72 horas para conseguir agilizar o acordo entre o SNMMP e a ANTRAM. À espera do pior, o governante defendeu, no final de julho, que os portugueses deviam precaver-se para a paralisação e abastecer os seus veículos antecipadamente.

Ainda no início desta semana, Pedro Nuno Santos quis novamente entrar em jogo: pediu aos dois sindicatos - o SNMMP e o SIMM - para acionar o mecanismo legal de mediação. “Continuo a esperar, e a apelar [para] que o façam”, disse.

António Costa

António Costa

António Costa

manuel de almeida

Na teoria, o principal interessado em que a greve não chegue a acontecer; uma repetição do cenário de Abril passado pode influenciar os resultados das eleições legislativas, marcadas para 6 de outubro. O primeiro-ministro já se pronunciou por diversas vezes contra a paralisação, afirmando até que os portugueses não a compreendem. Na semana passada, disse existir “um sentimento nacional de revolta”.

Marcelo Rebelo de Sousa

Marcelo Rebelo de Sousa

Marcelo Rebelo de Sousa

paulo novais/lusa

Em janeiro, quando fez uma viagem entre Lisboa e Porto à boleia de um camião, o Presidente da República acabou a reconhecer que a classe tinha uma "vida difícil" e a fazer algumas sugestões para que fosse aliviada da carga laboral. Um dos exemplos dados por Marcelo foi a descida da idade da reforma, para os 60 anos por exemplo. As cargas e descargas foram outra hipótese.

Agora, numa altura em que os motoristas começam a ver-se isolados, bateram à porta do Presidente da República, lembrando-lhe que é tempo de passar das palavras ao atos. Marcelo já respondeu. Não lhes tira a razão mas não subscreve a estratégia.

Guilherme Dray

Guilherme Dray

Guilherme Dray

É o mediador escolhido pelo Governo para tentar impedir uma nova greve dos motoristas e, apesar da postura discreta, o seu papel é decisivo para resolver o conflito. Especialista em direito do trabalho e já habituado a longas maratonas negociais, foi chefe de gabinete de Mário Lino e José Sócrates, tinha acesso direto à equipa mais próxima do ex-presidente brasileiro Lula da Silva e foi investigado no âmbito da Operação Marquês, mas não chegou a ser constituído arguido. Passou pela Ongoing (já falida) e também coordenou o Livro Verde sobre as Relações Laborais.

No processo negocial entre estivadores e operadores portuários, no final do ano passado, já tinha sido chamado a mediar o conflito. Na altura, o seu nome foi bem recebido pelo Sindicato dos Estivadores e Atividade Logística (SEAL) que já tinha "trabalhado com ele" num conflito anterior, no Porto de Lisboa, e acabou por conseguir levar as negociações a bom porto.

Dá aulas, é sócio da Macedo Vitorino & Associados e, em julho, esteve na convenção nacional do PS, no mesmo painel de Vieira da Silva. No processo atual, terá alertado as partes para o facto do protocolo assinado por todos não referia os aumentos anuais de 100 euros que tinham sido acordados anteriormente e, em vez disso, falava de aumentos salariais indexados ao salário mínimo em 2021 e 2022.

Gustavo Paulo Duarte

Gustavo Paulo Duarte

Gustavo Paulo Duarte

josé caria

Apesar do protagonismo do lado da ANTRAM neste conflito ser mais assumido pelo advogado André Matias de Almeida, Gustavo Paulo Duarte é o homem que preside à associação desde 2014, em representação da empresa familiar Transportes Paulo Duarte, fundada em 1946.

Na empresa,com um volume de negócios de 49 milhões de euros e uma frota de 1.179 camionetas, lidera 730 trabalhadores, 615 dos quais são motoristas.

Numa entrevista publicada no site da Interfaces (consultora especializada no sector dos transportes), há um ano, assumia que este é "um sector em profunda mudança": "No setor do transporte rodoviário de mercadorias em Portugal falta profissionalização. Vive muito do “é assim que eu faço” e o “era assim que fazia”; isso vai ter que mudar porque as imposições que estão a aparecer, as exigências da regulação e a competitividade que existe entre as empresas nos países e na Europa, obrigam a um maior profissionalismo", disse.