Sociedade

É tempo de desmantelar o Facebook

O gigante tornou-se demasiado grande e chegou a hora de o enfrentar. O homem que ajudou Mark Zuckerberg a criar a rede de todas redes pede agora o seu fim. Para salvar a democracia

25 maio 2019 18:38

CHRIS HUGHES / ”THE NEW YORK TIMES”

A última vez que vi Mark Zuckerberg foi no verão de 2017, meses antes de rebentar o escândalo da Cambridge Analytica. Encontrámo-nos no escritório dele em Menlo Park (Califórnia), a sede do Facebook, e fomos de carro até sua casa, num bairro tranquilo e verdejante. Passámos uma hora ou duas juntos, enquanto a filha pequena circulava em redor. Falámos sobretudo de política, um pouco do Facebook e sobre as nossas famílias. Quando as sombras começaram a alongar-se, tive de me ir embora. Abracei a mulher, Priscilla, e disse adeus ao Mark.

Desde essa altura, a reputação tanto de Mark como do Facebook caíram a pique. Os erros da empresa — as práticas de privacidade desleixadas que permitiram a uma firma de consultoria ter acesso aos dados de dezenas de milhões de utilizadores; a resposta lenta aos agentes russos, à retórica violenta e às notícias falsas; e o impulso ilimitado para capturar cada vez mais do nosso tempo e da nossa atenção — dominam as manchetes. Há 15 anos, fui cofundador do Facebook em Harvard, e há uma década que não trabalho na empresa. Mas tenho um sentimento de fúria e responsabilidade.

Mark ainda é a mesma pessoa que vi abraçar os pais quando estes deixavam a sala do dormitório no nosso segundo ano de faculdade. É a mesma pessoa que procrastinava o estudo para os testes, que se apaixonou pela futura mulher na fila para a casa de banho numa festa, e que ainda dormia num colchão num pequeno apartamento anos depois de passar a ter meios para muito melhor. Mas é a sua própria humanidade que torna tão problemático o seu poder sem supervisão. A influência de Mark Zuckerberg é assombrosa, muito superior à de quem quer que seja no sector privado ou no Estado. Ele controla três plataformas de comunicação — o Facebook, o Instagram e o WhatsApp —, utilizadas por milhares de milhões de pessoas todos os dias. O conselho de administração do Facebook funciona mais como um órgão consultivo do que como um supervisor, pois Mark controla 60 por cento das ações com direito a voto. Só ele pode decidir como configurar os algoritmos do Facebook para determinar o que as pessoas veem nos seus feeds de notícias, que definições de privacidade podem usar, e mesmo que mensagens são ou não entregues. Estabelece as regras para distinguir o discurso violento e incendiário do meramente ofensivo, e pode optar por encerrar um concorrente comprando-o, bloqueando-o ou copiando-o.

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