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Os insetos são “as pequenas criaturas que governam isto tudo” mas estão a desaparecer - com consequências “catastróficas”

PREOCUPAÇÃO: No Reino Unido, o número de abelhas equivale atualmente a apenas 25% do necessário para a polinização

D.R.

“Os insetos são a base estrutural do funcionamento de quase todos os ciclos de todos os ecossistemas no nosso planeta, há quase 400 milhões de anos que é este o caso”, lê-se no estudo

Mais de 40% das espécies de insetos que atualmente conhecemos podem deixar de existir em menos de cem anos - e isso terá um “impacto” devastador” para a vida dos humanos, avisam os cientistas das universidades de Sydney e Queensland e da Academia Chinesa de Ciências da Agricultura, num estudo conjunto publicado na revista científica “Biological Conservation”. Os investigadores analisaram dezenas de relatórios publicados em décadas anteriores e as razões por trás destes números e a visão global, escrevem, “é, no mínimo, catastrófica”

As populações de insetos estão em acentuado declínio um pouco por todo o mundo (cerca de 2,5% ao ano) e a culpa é dos humanos que usam demasiados pesticidas, herbicidas e outros produtos químicos para acabar com as pragas que atacam as culturas. Acabar com os insetos que destroem as plantações da nossa comida, pulverizando, com uma única passagem de uma avioneta, centenas de hectares, pode parecer o método mais fácil de garantir que a maioria dos legumes ou dos frutos chegam intactos à altura da colheita, mas a verdade é que estamos a danificar os ecossistemas da Terra e eles estão todos interligados. “Os insetos são a base estrutural do funcionamento de quase todos os ciclos de todos os ecossistemas no nosso planeta, há quase 400 milhões de anos que é este o caso”, lê-se no estudo.

Com as práticas nocivas, que empregamos particularmente na agricultura, e também por culpa da acentuada urbanização, milhões e milhões de insetos estão a perder o seu habitat natural. “A perda do habitat, a conversão das práticas agrícolas para uma forma mais intensiva de cultivo, a urbanização, a poluição, mas também as mudanças climáticas”, são alguns dos fatores que os cientistas realçam para explicar o declínio destas espécies.

Don Sands, entomólogo australiano, diz mesmo que “a vida dos humanos” pode sofrer “um impacto incomensurável” se esta “primeira camada” dos ecossistemas se perder. “Os insetos são as pequenas criaturas que governam o mundo”, acrescentou um investigador, que esteve envolvido no estudo.

As espécies cuja base da alimentação são insetos - e, consequentemente, aqueles que se alimentam dos que se alimentam de insetos - serão os primeiros a sofrer com este declínio. A polinização das culturas também irá sofrer bastante, tal como a reciclagem de nutrientes no solo, alertam os cientistas. Quanto é que valem os “serviços prestados pelos insetos” na área da agricultura e da fertilização dos solos? Cerca de 57 mil milhões de dólares por ano, de acordo com um outro estudo, agora recuperado pela CNN. Cerca de 80% das plantas selvagens usam insetos para espalharem as suas sementes e 60% dos pássaros comem insetos.