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Enfermeiros. Contribuições anónimas? "Estamos preparadíssimos!"

PAULO NOVAIS

O Movimento Greve Cirúrgica apelou a todos os que contribuíram na recolha de fundos para que se identifiquem. Porque "não há nada a esconder". A declaração surge em reação à notícia do Expresso, segundo a qual a ASAE vai investigar a origem dos fundos recolhidos pelos enfermeiros através de uma plataforma de financiamento colaborativo (crowdfunding) para as recentes greves daquela classe profissional.

O Movimento Greve Cirúrgica apelou este sábado a todas as pessoas que contribuíram ou que desejem no futuro contribuir na recolha de fundos online para o financiamento da greve dos enfermeiros que se identifiquem, porque "não há nada a esconder”.

“Estamos preparadíssimos! Não temos nada a esconder, sempre dissemos isso”, afirmou à agência Lusa Catarina Barbosa, representante daquele movimento.

A declaração surge em reação à informação avançada pela edição do Expresso, segundo a qual a Autoridade para a Segurança Alimentar e Económica (ASAE) vai investigar a origem dos fundos recolhidos pelos enfermeiros através de uma plataforma de financiamento colaborativo (crowdfunding) para as recentes greves daquela classe profissional.

Apelo ao fim do anonimato

Catarina Barbosa acrescentou que o movimento enviara na sexta-feira, “antes de sair a notícia”, um email a todos os financiadores para que verificassem se as suas contribuições tinham sido anónimas ou não.

A mensagem seguia com "um pedido para as pessoas se identificarem, exatamente porque não temos nada a esconder”. Catarina Barbosa indicou que o movimento já recebeu, entretanto, emails de várias pessoas que querem alterar o estado de de anónimo e colocarem a respetiva identificação.

“Acreditamos que até ao fim do dia de hoje ou durante domingo, esse problema ficará resolvido. Porque nós nunca tivemos nada a esconder. Não é por causa dos anónimos que as coisas vão ser diferentes”, afirmou a representante do Movimento Greve Cirúrgica, que organizou a recolha de fundos para as paralisações.

É a melhor forma de resolver a suspeita

O movimento diz "estar tranquilo" e ficar à espera. "O que nós queríamos era mesmo isso, que investigassem para acabarem mesmo com a suspeita que existe dos privados estarem a financiar. Assim, vai ficar resolvida a questão. E espero que não se volte a falar mais desta situação. É a melhor forma de resolver isto”, diz a enfermeira Catarina.

Segundo a dirigente, o movimento "não teve até agora "qualquer contacto da ASAE.

A edição impressa do Expresso revelava que a ASAE vai investigar o fundo solidário que está a financiar a greve dos enfermeiros, perante as crescentes suspeitas sobre a origem do crowdfunding, que já angariou mais de 784 mil euros.

As circunstâncias atuais "precipitaram uma avaliação prévia às seis campanhas ativas, entre as quais a dos enfermeiros”, disse ao Expresso o inspetor-geral da ASAE, Pedro Portugal Gaspar. Na quinta-feira, fonte oficial da ASAE dissera à agência Lusa que não fez qualquer inspeção às plataformas de crowdfunding desde que foram criadas, há quase quatro anos, porque a legislação não está ainda uniformizada com as medidas de combate ao branqueamento de capitais.