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Lúcia, Eufrázia, Luzia, Marina, Helena, Lara. A violência doméstica tem nome e mata

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Desde o início do ano, seis mulheres e uma criança foram assassinadas em contexto de violência doméstica e há mais dois homicídios em que as autoridades suspeitam também de motivação passional. Às cifras negras juntam-se mais quatro mortes: quatro homicidas que se suicidaram depois dos crimes

5 janeiro

Lúcia Rodrigues, 48 anos, foi morta com um tiro de caçadeira pelo companheiro, Nuno Guerreiro, de 42 anos, que se suicidou de seguida. O crime ocorreu na casa onde viviam juntos há um ano na Rua do Infantário, no centro de Lagoa. Os corpos foram encontrados no interior, junto à porta, pelos bombeiros que tiveram de entrar pela janela. O alerta chegou pelos vizinhos, assustados com o sangue que escorria para o pátio. Nuno trabalhava nas limpezas na Câmara Municipal de Lagoa; Lúcia em limpezas na hotelaria e casas particulares. Estavam juntos há cerca de três anos. Ela tinha dois filhos, ele um.

11 janeiro

Joaquim Risso, de 83 anos, matou a mulher, Maria Eufrázia Rosado, com a mesma idade, e a irmã desta, Luzia Rosado, de 80, com uma pistola, em Monte da Espada, em Terena, no Alandroal (Évora). Depois dos crimes chamou a GNR e de seguida tentou suicidar-se com dois tiros na cabeça. Ainda foi encontrado com vida, mas acabou por morrer no hospital de Santa Maria, em Lisboa, para onde fora transportado num helicóptero do INEM. Os homicídios terão ocorrido depois de uma discussão sobre a matança de um porco. Elas queriam que fosse nesse dia, ele não.

No mesmo dia, no Bairro Cor de Rosa, no Pragal, em Almada, Vera Silva, 30 anos, proprietária de uma loja de roupa, foi assassinada em casa. Ainda conseguiu ir até às escadas do prédio, pedir aos gritos ajuda aos vizinhos, mas morreria horas depois no Hospital Gracia de Orta. A autópsia revelou que Vera foi brutalmente agredida, com socos e pontapés que lhe deixaram graves lesões na cabeça. O ataque, de raiva extrema, "pelas próprias mãos" e sem recurso a qualquer objeto, indicia um motivo passional. A Polícia Judiciária de Setúbal continua à procura do agressor.

17 janeiro

Um homem de 72 anos matou, com um tiro de caçadeira, a mulher, de 71 anos, e suicidou-se no apartamento onde residiam há pelo menos 40 anos, na Rua Sacadura Cabral, no Dafundo, Oeiras. O alerta às autoridades foi dado pela filha do casal, que se deslocou à habitação após os pais não terem atendido o telefone. Das notícias então publicadas não constam nomes nem grandes pormenores, só que havia historial de violência doméstica e que o homem era caçador.

27 janeiro

Uma mulher brasileira, de 48 anos, foi encontrada morta na casa onde morava, na Travessa das frigideiras, na zona velha de Santarém. A vítima, que se dedicava à prostituição, foi encontrada depois de uma amiga alertar os bombeiros de que esta não atendia o telemóvel. Foi violentamente agredida, as portas tinham sinal de arrombamento e havia vestígios de sangue ao longo da rua. A Polícia Judiciária está a investigar o caso.

31 janeiro

Marina Fernandes, 25 anos, foi encontrada morta (esfaqueada) na sua casa, em Moimenta da Beira, Viseu, onde vivia com os dois filhos, de 2 e 5 anos. Carlos Loureiro, 26 anos, bombeiro, foi detido no mesmo dia e confessou ter matado a amante. Ainda tentou ocultar as pistas que o levariam a ele, mas sem sucesso. Para disfarçar um ferimento na mão, feito durante o crime, partiu um espelho no quartel de bombeiros onde trabalha e foi receber assistência ao Serviço de Urgência. Deitou o telemóvel da vítima no lixo, em Bigorne (Lamego), por conter mensagens suas, mas foi recuperado pela PJ de Vila Real. Ficou em preventiva na Prisão de Lamego.

4 fevereiro

Maria Helena Cabrita, 56 anos, foi assassinada em casa, na Cruz de Pau (Seixal), pelo ex-genro, Pedro Henriques, que depois asfixiou a filha Lara, de dois anos, deixando-a na mala do carro, em Corroios. Por fim, suicidou-se em Castanheira de Pera, junto à casa da família. A história é sobejamente conhecida e é tragicamente igual a tantos casos de violência doméstica em Portugal, em que nem uma queixa prévia às autoridades, duas idas da PSP à casa dos pais de Lara e repetidas ameaças de morte impediram que a morte chegasse.