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A seca regressou e já atinge 53,3% do território

NICOLAS ASFOURI / AFP / Getty Images

Depois de um mês de novembro muito chuvoso, o IPMA revela que o valor médio da precipitação em dezembro correspondeu apenas a 37% do valor normal para a época

Virgílio Azevedo

Virgílio Azevedo

Redator Principal

O valor médio da precipitação em dezembro chegou apenas a 37% do valor normal (54 milímetros), levando o território do Continente a regressar a uma situação de seca, revela o último Resumo Climatológico do IPMA.

As chuvas intensas e abundantes em novembro tinham atingido 163% do normal (178 milímetros), o que levou ao fim da seca e compensou a precipitação muito fraca de setembro ( 20% do normal), o segundo mais seco dos últimos 30 anos, e de outubro (72% abaixo do normal).

O Instituto Português do Mar e da Atmosfera salienta que de acordo com o índice de seca PDSI, "verificou-se no final de dezembro o surgimento da classe de seca meteorológica fraca a sul do Tejo", o que levou a que 53,3% do território fosse classificado na situação de "seca fraca", 13,7% na classe "normal" e 33% na classe de "chuva fraca". A zona do país atingida pela seca abrange a totalidade do Algarve, Alentejo, Área Metropolitana de Lisboa e Região Oeste, e uma parte dos distritos de Castelo Branco e de Santarém,

O IPMA revela que nos últimos oito anos "o valor de precipitação mensal em dezembro foi sempre inferior ao normal" para a época, isto é, menor do que o valor médio do período de referência de 1971/2000. E valores da quantidade de precipitação inferiores aos agora registados só ocorreram em 20% dos anos desde 1931, ano em que começaram os registos meteorológicos regulares em Portugal.

Dezembro muito seco e quente

O mês de dezembro classificou-se, assim, como "muito seco em relação à precipitação", mas também como "quente em relação à temperatura do ar", destacando-se o valor médio da temperatura máxima, 15,21 graus, ou seja, superior ao normal em 1,33 graus, sendo o terceiro valor mais alto desde 1931 (os outros ocorreram em 2015 e 2016). Mas nos dias 9 e 10 de dezembro o valor médio da temperatura máxima chegou aos 18,7 graus no Continente, um desvio de mais 4,8 graus em relação ao normal para a época. O recorde nacional foi registado em Aljezur (Algarve): 24,7 graus no dia 10 de dezembro.

A última Previsão Mensal para o Continente do IPMA, relativa ao período de 7 de janeiro a 3 de fevereiro, aponta para uma precipitação abaixo do normal nas semanas de 7 a 13 de janeiro e 14 a 20 de janeiro. E a última Previsão Sazonal, que abrange o período que vai de outubro de 2018 a fevereiro de 2019, conclui que "não épossível identificar a existência de sinal estatísticamente significativo". Estes dois relatórios do IPMA são feitos com base nos dados do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas a Médio Prazo (ECMWF).

Entretanto,quanto à situação das barragens, o Sistema Nacional de Informação de Recursos Hídricos (SNIRH) da Agência Portuguesa do Ambiente revela que "no último dia do mês de dezembro de 2018 verificou-se um aumento do volume armazenado em seis bacias hidrográficas e uma descida noutras seis". Das 60 albufeiras monitorizadas pelo SNIRH, 11 apresentaram disponibilidades hídricas superiores a 80% do volume total e 11 disponibilidades inferiores a 40%. Os armazenamentos por bacia hidrográfica foram inferiores às médias de armazenamento de dezembro (de 1990/91 a 2017/18), excepto para as bacias dos rios Ave, Guadiana e Arade (Algarve).