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ERC investiga queixas sobre presença de líder de movimento de extrema-direita em programa da TVI

A presença de Mário Machado no programa de Manuel Luís Goucha levou a associação SOS Racismo a exigir na quinta-feira às autoridades responsáveis pela supervisão da comunicação social, bem como à tutela, que tomem medidas

A Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) vai analisar queixas de vários telespetadores sobre a presença de Mário Machado, líder do movimento de extrema-direita Nova Ordem Social, no programa da manhã da TVI.

Mário Machado foi um dos convidados na quinta-feira do programa da manhã da TVI “Você na TV”, tendo sido "anunciado" na página do Facebook do apresentador Manuel Luís Goucha como "autor de algumas declarações polémicas".

"Precisamos de um novo Salazar?" era a pergunta de partida da conversa do programa, no qual Mário Machado defendeu a necessidade Portugal ter um novo ditador.

A presença de Mário Machado no programa levou a associação SOS Racismo a exigir na quinta-feira às autoridades responsáveis pela supervisão da comunicação social, bem como à tutela, que tomem medidas.

Ainda na quinta-feira, a ERC adiantou numa nota publicada na sua página da Internet ter recebido participações que visam o programa “Você na TV” emitido, no dia 3 de janeiro de 2019, no serviço de programas TVI.

“Estas serão apreciadas pelos serviços da ERC, nos trâmites habituais”, é referido na nota.

O SOS Racismo salientou na quinta-feira em comunicado que a “TVI decidiu branquear o criminoso Mário Machado, ao convidá-lo para o seu programa matinal”.

“A TVI argumenta com a liberdade de expressão para justificar o convite a quem esteve mais de 12 anos preso por vários crimes, alguns envolvendo crimes de ódio racial”, refere a associação.

A SOS Racismo lembra que Mário Machado foi condenado em 1997 a uma pena de quatro anos e três meses de prisão por envolvimento na morte de Alcino Monteiro - assassinado em 1995, no Bairro Alto.

Mário Machado, que liderou durante muito tempo os “Hammerskins Portugal”, foi mais tarde condenado por vários crimes de violência, sequestro, posse de arma e discriminação racial.

“Num país cuja Constituição proíbe e bem organizações que professam o fascismo, o nazismo e o racismo, a TVI decidiu estender o tapete a um dos chefes de fila da extrema-direita portuguesa, sobejamente conhecido por defender o fascismo e o racismo e a violência a eles associada”, é sublinhado na nota.

A SOS Racismo considera que a “decisão da TVI de convidar Mário Machado é muito mais do que uma estratégia de branqueamento do passado criminoso e nazi-racista”.

“É mais grave ainda porque denota sobretudo um inqualificável desejo de fascismo, de normalização e legitimação política e social da extrema-direita, como tem acontecido um pouco por toda a parte, no mundo em geral e, na Europa, em particular”, é referido.

A associação destaca também que “dar palco à ideologia fascista e racista seja em que circunstância for, não é nenhum exercício de liberdade de expressão é, antes pelo contrário, contribuir para perigar os alicerces do Estado de Direito Democrático e constituiu uma afronta aos valores de liberdade, dignidade e igualdade”.

“Portanto, a direção editorial da TVI e os seus responsáveis não se podem esconder por detrás do biombo da liberdade de expressão para branquear os crimes racistas nem para legitimar o regresso do nazi-fascismo”, segundo a associação.

Por isso, a SOS Racismo exige à ERC e à tutela que tomem as medidas necessárias para impedir que a comunicação social “se transforme numa caixa de ressonância da ideologia racista no país”.