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Portugal Space. Agência espacial portuguesa arranca em 2019

Objetivo é concretizar a “Estratégia Portugal Espaço 2030”, atrair €320 milhões de fundos europeus, multiplicar por dez a faturação da indústria espacial portuguesa e criar 1000 empregos nos próximos dez anos

Virgílio Azevedo

Virgílio Azevedo

Redator Principal

Concretizar a estratégia nacional "Portugal Espaço 2030", de modo a tornar o país um local de inovação relacionada com o Espaço, baseado na excelência científica e em capacidades industriais competitivas, que crie empregos altamente qualificados, inspire as novas gerações e tenha uma posição de destaque nas novas atividades espaciais. São estas as ambições da Portugal Space, a agência espacial portuguesa, que vai arrancar com as suas atividades na primavera de 2019.

Manuel Heitor, ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, revela ao Expresso que a Portugal Space vai ter metas muito concretas: "Queremos multiplicar por dez a faturação da indústria espacial portuguesa até 2030, passando de 40 para 400 milhões de euros por ano, criar 1000 empregos no setor - 100 por ano - e atrair 2% dos fundos europeus para o Espaço nos sete anos do próximo quadro financeiro da UE, isto é, cerca de 320 milhões de euros". Uma das principais apostas vai ser o desenvolvimento de microssatélites para a observação da Terra e de pequenos lançadores (foguetões).

O programa comunitário de apoio à ciência e inovação para 2021-2027 é o Horizon Europe, mas a Comissão Europeia está neste momento a discutir, em paralelo, o lançamento de um programa europeu específico para o Espaço com um orçamento de 16 mil milhões de euros. "Hoje Portugal depende a 100% da Agência Espacial Europeia (ESA), mas queremos captar outros fundos europeus", argumenta o ministro.

A Portugal Space, que vai ter sede na ilha de Santa Maria, nos Açores, é hoje anunciada pelo ministro no Instituto Pedro Nunes (IPN), em Coimbra, no segundo dia do encontro internacional "Portugal Space 2030: Planning the future@ESA Space Solutions", que assinala o quarto aniversário da incubadora espacial portuguesa da Agência Espacial Europeia (ESA), a ESA BIC Portugal, coordenada pelo IPN. Jan Worner, diretor-geral da ESA, participa também no evento, bem como Gui Menezes, secretário regional do Mar, Ciência e Tecnologia dos Açores.

"A Portugal Space vai ser um instrumento do Governo, em estreita articulação com o Governo Regional dos Açores e em parceria com a ESA, que tem interesse em que sejam criados nos seus estados-membros estruturas descentralizadas", explica Manuel Heitor. O governante acrescenta que "será essencialmente uma agência promotora de negócios, com uma estrutura pequena, ágil e altamente profissional, que atraia os melhores especialistas do mundo". O Luxemburgo está também a criar uma organização semelhante à portuguesa.

"A ESA não consegue fazer tudo, precisa de novos parceiros para que o processo de decisão seja menos burocratizado e mais rápido", sublinha Manuel Heitor. O primeiro diretor da Portugal Space será estrangeiro e a sua seleção feita através de um concurso, em articulação com a ESA. O seu nome vai ser conhecido em março de 2019.

Portugal reconhecido como nação espacial em 2030

O "business plan" da Portugal Space, a que o Expresso teve acesso, destaca que a agência "deve ser orientada no sentido de garantir que em 2030 Portugal seja reconhecido como uma autoridade global na ciência e economia das interações entre o Espaço, a Terra, o clima e os oceanos, fazendo uso das tecnologias de observação da Terra".

A agência deve ter cinco caraterísticas ou qualidades: estar bem informada, ser atrativa, autónoma, ágil e leve. Para o conseguir deve "ser concebida como uma rede de entidades públicas e parceiros dos setores espacial e não espacial, desenvolver apenas as atividades que não podem ser feitas por outras entidades da rede, e ter uma equipa com alguns dos melhores especialistas do mundo, recrutados a nível internacional".

As prioridades da agência serão, segundo o documento: facilitar o crescimento do setor espacial nacional; promover a transferência de tecnologia e a regulação para o uso responsável do espaço; ter uma interação estreita com a ESA e estimular a participação dos parceiros portugueses nos programas europeus; garantir a forte ariculação como o AIR Center, o Centro Internacional de Investigação do Atlântico (com sede nos Açores) nas áreas do Espaço, mar, clima, energia e ciência de dados; gerir e promover o programa para a criação de uma base espacial de lançamento de pequenos satélites na ilha de Santa Maria; e desenvolver iniciativas transatlânticas e a cooperação com África.

Notícia atualizada às 10h45