Sociedade

São já nove os detidos pelo roubo das 57 Glock na sede da PSP. Dois são polícias

19 dezembro 2018 7:05

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

Entre as nove pessoas que foram alvo de mandados de captura há dois agentes da PSP. Operação conta com 150 polícias de todo o país. Em causa estão crimes de tráfico de armas, peculato e associação criminosa. Um dos suspeitos do grupo tinha já sido apanhado há dois dias no caso de Tancos

19 dezembro 2018 7:05

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

Foi montada esta quarta-feira de madrugada uma operação de grande envergadura da PSP. São 150 os polícias que estão a fazer buscas domiciliárias e não domiciliárias por todo o país. O objetivo da PSP nesta operação Ferro-Cianeto era apanhar o grupo que roubou as 57 armas Glock do armeiro da direção nacional daquela polícia, na Penha de França (Lisboa). O furto foi detetado em janeiro do ano passado.

Foram emitidos quatro mandados de detenção: dois para agentes da PSP e outros dois para civis. Mas ao final da manhã já havia nove detidos. De acordo com a Procuradoria-Geral da República, houve "sete detidos relacionados com o presente inquérito (3 em cumprimento de mandados de detenção emitidos pelo Ministério Público e 4 em flagrante delito)" e "outros dois detidos não relacionados com o presente inquérito, por posse de objetos proibidos".

Em causa estão crimes de tráfico de armas, peculato e associação criminosa.

A investigação dura há 23 meses e conta com efetivos da Divisão de Investigação Criminal, Unidade Especial de Polícia, bem como de outros departamentos de todo o país.

Estão a ser realizadas 15 buscas domiciliárias e quatro não domiciliárias, nos concelhos de Vila Nova de Gaia, Gondomar, Mafra, Abrantes, Alvaiázere, Sintra, Cascais, Oeiras, Lisboa, Almada e Albufeira.

O inquérito, dirigido pelo Departamento Central de Ação e Investigação Criminal (DCIAP), está a cargo da Divisão de Investigação Criminal do Comando Metropolitano de Lisboa.

Há dois dias, um dos elementos deste grupo, António Laranginha, foi detido pela Polícia Judiciária no âmbito do furto das armas de guerra em Tancos. Agora, a PSP deverá deter os restantes suspeitos que pertencem à mesma organização criminosa.

Apreeendidas oito das 57 Glock

Foi uma operação antidroga de rotina da PSP no bairro da Pasteleira, Porto, que deu origem a uma das maiores investigações internas nesta força policial. O saco com liamba e as duas pistolas 6,35 mm apreendidas na rusga de 25 de janeiro de 2017 não surpreenderam os agentes. Já a Glock 19 de 9 mm, com a inscrição "Força de Segurança" que se encontrava nas mãos de um dos suspeitos fez soar os alarmes.

Nos dias seguintes, as armas e munições foram contabilizadas ao pormenor no seio da instituição e concluiu-se que tinham desaparecido 57 Glocks (com as respetivas munições de 9 mm e carregadores) do armeiro situado na Penha de França, sede da direção nacional da PSP.

Os dois responsáveis pelo armazém foram imediatamente suspensos, alvo de um processo disciplinar interno e de um inquérito-crime por se suspeitar que foram corrompidos para roubar as armas.

Dias depois do caso do Porto, a Polícia Nacional de Espanha apanhou uma rede de venda de haxixe em Ceuta que tinha em sua posse três Glocks da PSP.

Já no início deste ano, em fevereiro, foram descobertas outras três armas pertencentes a esta força de segurança numa residência em Odivelas. Estavam na posse de dois homens e de uma mulher que importavam haxixe do país vizinho, em fardos de 25 quilos.


Em outubro, o ministro da Administração Interna Eduardo Cabrita revelou no Parlamento que a PSP tinha recuperado oito das 57 pistolas. Cabrita avançou que quatro armas foram recuperadas em Espanha, três das quais na Andaluzia e uma em Ceuta, e outras quatro em Portugal.