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Explosivos de Tancos iriam ser vendidos à ETA

PAULO NOVAIS / EPA

Um dos arguidos do caso revelou à Polícia Judiciária que o grupo de assaltantes tinha sido contactado por membros da ETA

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

Rui Gustavo

Rui Gustavo

Jornalista de Sociedade

A ligação ao terrorismo internacional no caso de Tancos estará, de acordo com a Polícia Judiciária, na ligação à organização terrorista basca. De acordo com fontes do processo, um dos arguidos revelou aos inspetores que o grupo planeava vender os explosivos roubados nos paióis nacionais à ETA.

O depoimento deste suspeito terá sido fundamental para os investigadores perceberem quem poderia ter encomendado o assalto da madrugada de 28 de junho do ano passado. Ao contrário dos explosivos, o resto das armas furtadas seriam escoadas no mercado negro para outros compradores.

Recorde-se que a 3 de maio deste ano, a ETA anunciou o seu desaparecimento como organização através de um comunicado, seis anos e meio depois de declarar que se afastaria definitivamente do terrorismo.

Só que a projeção mediática do caso de Tancos fez com que os assaltantes mudassem de ideias, acabando por se desfazer de uma grande parte do material bélico roubado. João Paulino, o alegado líder do grupo de sete homens que entrou ilegalmente nas instalações militares, acabou por negociar com um elemento da GNR de Loulé, amigo de infância em Albufeira, para entregar parte do arsenal na condição de não ser detido.

Entre setembro e outubro do ano passado, foi ganhando forma a operação de encobrimento da GNR de Loulé e Polícia Judiciária Militar (PJM) para a restituição do armamento de Tancos, à revelia da PJ e DCIAP, detentors do inquérito. Na madrugada de 18 de outubro, as armas que estavam escondidas na propriedade da avó de Paulino, em Tomar, foram transferidas para um baldio na Chamusca. A PJM simulou uma chamada anónima e chegaram ao local previamente combinado.

Na manhã seguinte, a PJM transferiu-as para o quartel de Santa Margarida, do Exército, onde ficaram guardadas longe da vista da PJ, que foi impedida de entrar no recinto militar durante cinco horas. A guerra entre PJ e PJM atingiu o climax nesse dia.

No final de setembro, a primeira parte da Operação Húbris, mais focada na operação de encobrimento da PJM e GNR, houve nove detenções, entre elas a do ex-diretor daquela polícia, o coronel Luís Vieira. Paulino foi também detido, indiciado por terrorismo. Agora, neste segundo capítulo da Húbris o foco foi para os assaltantes, sendo apanhados nove suspeitos.

No total há 19 arguidos, estando sete em prisão preventiva: dois na Húbris I e agora cinco na Húbris II.