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Famílias das vítimas de Pedrógão consideram acusação do MP resposta cabal à tragédia

Tiago Miranda

Departamento de Investigação e Ação Penal de Leiria deduziu acusação contra 12 arguidos no âmbito do inquérito aos incêndios de junho de 2017 em Pedrógão Grande, que mataram 66 pessoas. No total, foram imputados 694 crimes

A Associação de Vítimas do Incêndio de Pedrógão Grande considerou esta sexta-feira que a acusação do Ministério Público contra doze arguidos no âmbito do inquérito àquele fogo de 2017 é uma resposta cabal ao interesse público.

"Entendemos ser a resposta cabal ao interesse público que a tragédia que lhe está subjacente exige e do interesse público na sua divulgação para memória futura", refere a associação liderada por Nádia Piazza em comunicado enviado à agência Lusa.

O Ministério Público do Departamento de Investigação e Ação Penal de Leiria deduziu acusação contra doze arguidos no âmbito do inquérito aos incêndios de junho de 2017 em Pedrógão Grande, que mataram 66 pessoas.

A acusação "é inédita na história da judicatura portuguesa, sendo por isso corajosa, mas não destemida, pois, assumindo com humildade a grande complexidade do processo, está calcada, contudo, numa robusta e diversificada produção de prova que a ampara", refere a associação.

"Ousou ver onde, antes, outros negaram. A total incompetência dos agentes de proteção civil, a incompetência dos responsáveis na gestão e fiscalização da manutenção das servidões administrativas das redes viárias nacionais e municipais e linhas elétricas", lê-se no documento.

Para a Associação de Vítimas do Incêndio de Pedrógão Grande, o despacho do Ministério Público "é mais do que uma acusação: É memória futura numa sociedade conhecida por ter pouca memória e um documento pedagógico para responsáveis políticos, dirigentes e funcionários públicos, gestores da coisa pública e sociedade em geral".

Segundo as vítimas, da acusação também se pode concluir que o Ministério Público "recusou assacar responsabilidades políticas pela profunda mudança nos comandos distritais da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) em vésperas de época de incêndios e pela análise cuidada das suas competências profissionais".

"Não é uma vitória. Não há guerra nem vitórias possíveis neste cenário. Já perdemos todos. Vítimas, sobreviventes, acusados e sociedade", conclui o comunicado.

Responsáveis da proteção civil local e distrital e ainda dois quadros da EDP são acusados de 63 crimes de homicídio por negligência e 44 crimes de ofensa à integridade física por negligência na sequência do incêndio de Pedrógão Grande.

O Ministério Público (MP) do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Leiria deduziu acusação contra doze arguidos no âmbito do inquérito aos incêndios de junho de 2017 em Pedrógão Grande.

Segundo a acusação a que a agência Lusa teve acesso, o despacho assinado pela magistrada Ana Simões acusa o então Comandante Distrital de Operações de Socorro de Leiria, Sérgio Gomes, o segundo comandante distrital, Mário Cerol, e o comandante dos Bombeiros Voluntários de Pedrógão Grande, Augusto Arnaut, de 63 crimes de homicídio por negligência e 44 crimes de ofensas à integridade física (14 dos quais graves).

  • Os 694 crimes que mataram 64 pessoas em Pedrógão

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