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Caso de Tancos. Diretor da Polícia Judiciária Militar detido

nuno botelho

Sargento e dois soldados da GNR de Loulé também foram detidos esta terça-feira. Detenções estão relacionadas com o caso do roubo e posterior reaparecimento das armas de Tancos. São todos suspeitos de perturbar a investigação

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

Rui Gustavo

Rui Gustavo

Jornalista de Sociedade

No âmbito de buscas nas instalações da Polícia Judiciária Militar (PJM), o diretor, o coronel Luís Augusto Vieira, foi detido por suspeitas de crimes de associação criminosa,denegação de justiça, prevaricação, falsificação de documentos, tráfico de influência, favorecimento pessoal praticado por funcionário, abuso de poder, recetação, detenção de arma proibida e tráfico de armas.

Nos termos do art.º 22 do Estatuto dos Militares das Forças Armadas, a detenção de militares no ativo, fora de flagrante delito, “é requisitada aos seus superiores hierárquicos pelas autoridades judiciárias”, procedimento que foi seguido, de acordo com Procuradoria-Geral da República (PGR) .

Também foram detidos um sargento e dois soldados da GNR de Loulé, por suspeitas do mesmo tipo de crimes. "Entre os detidos estão militares da Polícia Judiciária Militar e da Guarda Nacional Republicana e um outro suspeito", diz PGR.

No total, há pelo menos cinco pessoas detidas no âmbito desta Operação Húbris que está nas mãos do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) e da Unidade Nacional Contra-Terrorismo (UNCC) da PJ .

Segundo a PGR, as detenções estão relacionadas com a investigação ao caso de Tancos, mais concretamente sobre o reaparecimento das armas na Chamusca. Os militares são suspeitos de ter perturbado a investigação ao caso. "Neste inquérito investigam-se as circunstâncias em que ocorreu o aparecimento em 18 de outubro de 2017, na região da Chamusca, de material de guerra furtado em Tancos", pode ler-se no comunidado.

Os investigadores acreditam que os militares da PJM e da GNR de Loulé realizaram uma operação de encobrimento para fazer crer que houve uma denúncia anónima e que as armas tinham sido deixadas pelos assaltantes na Chamusca.

Além das buscas na PJM, foram realizadas operações em vários locais da Grande Lisboa, Algarve, Porto e Santarém.

Os detidos serão presentes ao Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa para aplicação das medidas de coação.

Tensão entre PJ e PJM

No final de junho do ano passado, um grupo de assaltantes levou 150 granadas de mão ofensivas, 18 granadas de gás lacrimogéneo e 1450 cartuchos de munição de nove milímetros de dois paiolins do Exército em Tancos. Logo após o roubo, as chefias militares revelaram que o material estava avaliado em 34 mil euros.

As equipas da PJ e da PJM descobriram que as portas dos paiolins foram abertas com recurso a um equipamento que não se vende em Portugal — mas sim em Espanha. Trata-se de um saca-cilindros — uma ferramenta capaz de extrair cilindros de fechaduras de forma fácil e sem provocar danos nas portas.

Em outubro reapareceram na Chamusca depois de uma denúncia anónima que chegou à PJM na madrugada de 18 de outubro. Detetou-se nessa altura que esse telefonema seria proveniente de uma cabine telefónica na Margem Sul. O Exército revelou nessa altura que o material encontrado na Chamusca incluía uma caixa que não constava da relação inicial do arsenal roubado em Tancos.

O caso gerou desde o início tensão entre investigadores da PJ e da PJM, clima que se terá agravado depois de terem sido encontradas as armas num terreno baldio na Chamusca, a 20 quilómetros das instalações militares de Tancos. Na altura a PJ acusou a PJM de não ter avisado de imediato a equipa da UNCC, que só foi alertada do reaparecimento do arsenal de guerra a meio dessa manhã. Já a PJM garantiu que quando recebeu o telefonema anónimo não sabia que ia encontrar as armas roubadas quatro meses antes em Tancos. Mas apenas material de guerra.