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Já há arguidos na investigação às casas de Pedrógão Grande

PJ investiga alegadas fraudes para a reconstrução das casas ardidas em Pedrógão Grande

Foto Rui Duarte Silva

Inquérito aos fundos atribuídos às casas ardidas nos incêndios da região Centro tem avançado com rapidez na última semana. Quatro pessoas foram constituídas arguidas. Dois responsáveis da autarquia de Pedrógão estão a ser ouvidos pela PJ

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

Rui Gustavo

Rui Gustavo

Jornalista de Sociedade

A investigação da Polícia Judiciária e do Ministério Público de Coimbra aos fundos atribuídos à reconstrução das casas danificadas pelo incêndio de 17 de junho de 2017 já tem arguidos. Uma informação confirmada pelo Expresso junto de várias fontes próximas do caso.

O site do Departamento de Ação e Investigação Penal (DIAP) de Coimbra confirmou a existência de quatro suspeitos formais no caso.

"No âmbito do inquérito onde se investigam irregularidades relacionadas com a reconstrução e reabilitação dos imóveis afetados pelos incêndios de Pedrógão Grande foram até agora constituídos quatro arguidos entre os requerentes de apoios", pode ler-se no comunicado.

Em causa estão crimes de corrupção, participação económica em negócio, burla qualificada e falsificação de documento.

O Expresso sabe que entre os arguidos haverá responsáveis por uma das juntas de freguesia daquela região, assim como construtores civis e habitantes locais. Todos eles foram sujeitos à medida de coação mais ligeira, o termo de identidade e residência.

Dois responsáveis da autarquia de Pedrógão Grande estão a ser ouvidos pela PJ durante esta quarta-feira. O processo tem conhecido avanços significativos com a audição de várias pessoas envolvidas.

Esta quarta-feira, o presidente da autarquia Valdemar Alves pediu para sair do Conselho de Gestão do Fundo Revita, na sequência das denúncias de irregularidades.

Há precisamente uma semana, a Polícia Judiciária realizou buscas na Câmara Municipal de Pedrógão Grande e na Casa da Cultura do município, onde funciona o gabinete do Fundo Revita para a reconstrução das casas destruídas em 2017.

As autoridades investigam alegadas fraudes na reconstrução das casas destruídas pelos incêndios do verão do ano passado na região. Mais concretamente para casas de segunda habitação, ou mesmo desabitadas, que podem ter recebido indevidamente verbas do fundo Revita.

A autarquia garantiu na altura que os "inquéritos judiciais" estavam a ser realizados a seu pedido.

A Visão e TVI denunciaram ao longo das últimas semanas eventuais fraudes na atribuição de subsídios para a reconstrução das casas destruídas pelos incêndios.

O grande incêndio que deflagrou em 17 de junho de 2017, em Escalos Fundeiros, concelho de Pedrógão Grande, e que alastrou depois a concelhos vizinhos, provocou 66 mortos e 253 feridos, sete deles com gravidade, tendo destruído cerca de 500 casas, 261 das quais eram habitações permanentes, e 50 empresas.