Sociedade

Souto de Moura faz memorial

26 maio 2018 18:00

d.r.

Arquiteto de Braga assinará monumento em honra das vítimas mortais. E não vai cobrar honorários

26 maio 2018 18:00

O monumento em honra dos 66 mortos nos incêndios de Pedrógão Grande terá a assinatura de Eduardo Souto de Moura. Prémio Pessoa e agraciado com um Pritzker, o arquiteto é autor de obras emblemáticas como o Estádio Municipal de Braga ou a Casa das Histórias, em Cascais, que alberga as obras da pintora Paula Rego e de Victor Willing. “Contactaram-me há poucos dias a convidar-me e disse que sim, que tenho todo o gosto em fazer isto. Mas ainda é tudo muito recente, não há esboços nem ideias, não está nada formalizado, ainda tenho de ir lá”, confirma o arquiteto.

“Apresentámos a ideia e pedimos a ajuda dele nesta empreitada num momento de viragem das nossas vidas, o momento em que se materializará a memória coletiva das vítimas dos incêndios de 2017”, explica a presidente da Associação das Vítimas dos Incêndios de Pedrógão Grande. Nádia Piazza diz ainda que o arquiteto “é uma referência nacional e internacional, com capacidade de imortalizar o que foi mortal e falível, a memória de tantas vidas caídas, materializando o amor, a família e a ascensão”.

Souto de Moura vai trabalhar de forma totalmente gratuita no projeto: “Disse-lhes para não se preocuparem com o custos, porque essa questão não se põe, não cobrarei honorários.” O gabinete do primeiro-ministro recebeu uma carta da AVIPG pedindo apoio financeiro e, ao Expresso, fonte oficial do Governo é taxativa: “Obviamente que apoiaremos a obra.” O projeto deverá resultar da conjugação de esforços da associação, do Executivo e dos municípios atingidos — Pedrógão Grande, Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pera.

A maior parte das vítimas morreu a fugir do fogo na EN 236-1 e, para as famílias dos mortos, a estrada é uma localização incontornável. De tal forma o impacto da “estrada da morte” é forte na população que a associação das vítimas pede que, além do memorial, seja feita a requalificação paisagística da via, substituindo eucaliptos e pinheiros por flores e gramíneas.

Fonte da vida

Antes do memorial na estrada, a aldeia de Nodeirinho, onde morreram 11 pessoas, também terá um monumento, desta vez, em honra às pessoas que se salvaram, refugiadas numa fonte.

João Viola, pintor local e proprietário do terreno onde se erguerá o monumento, pediu ajuda aos vizinhos e uniu esforços para tornar a ideia realidade. Tudo foi feito por voluntários e com donativos.

Será formado por um pedestal de cimento e escombros de uma casa destruída, vidros e metal derretidos pelo calor e uma pedra de xisto com uma asa de ferro e inaugurado a 17 de junho, na presença do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa. C.M. com Valdemar Cruz