Vinhos

Queremos surpresas ou não? Provar vinhos com alguma idade exige mente aberta

6 maio 2022 20:00

gilaxia

Notas de uma prova de vinhos com décadas. E ainda uma nota ‘in memoria’

6 maio 2022 20:00

1 Escolher vinhos para uma prova e juntar um grupo de adeptos disponíveis para o melhor e o pior nem sempre é fácil, porque, se o tema forem vinhos com alguma idade, exige-se mente aberta. Recentemente, organizei mais uma prova com vinhos que começavam na colheita de 1955 e acabavam em 2014. Muitos foram comprados em leilão, com todos os riscos que isso implica: sabe-se lá onde estiveram guardados e que maus tratos terão sofrido. Nunca compro caro em leilão e espanto-me a ver vinhos serem arrematados por preços altos quando, na melhor das hipóteses, apenas estarão decadentes mas... bons?, nem pensar!

Assim, foi normal ver vinhos tintos de Colares já passados, alentejanos moribundos, bairradinos em sofrimento. Mas há sempre boas razões para satisfação: Alvarinhos com 13 anos a darem muito boa conta de si (Soalheiro e Poema), um Lagoalva de Cima tinto 1992 (com Periquita e Syrah) numa forma incrível; Colares branco da Fundação Oriente 2009 em grande forma; um Niepoort Projectos Riesling 2005 a deixar todos incrédulos, um Bons Ares branco 2011 e um Adega Vidigueira Antão Vaz 2014 também em muito boa condição. Nos tintos, houve outras surpresas: Pasmados 90, D’Avillez 2001, Tapada de Coelheiros Garrafeira 2001, Aneto 2002 e Pellada Alvarelhão 2011. Com a sobremesa um Carcavelos Villa Oeiras cumpriu garbosamente. Haverá outras razões para juntar amigos, mas esta é insuperável. Mesmo os grandes vinhos fizeram-se para ser bebidos, não para olharmos para eles. Missão cumprida!