Restaurantes

Restaurantes: a coerência e a regularidade do Gambrinus

7 janeiro 2023 10:43

mário joão

Um hino ao serviço de sala, com prosa da mesa cantada de cor por clientes fiéis. É o Gambrinus!

7 janeiro 2023 10:43

Há reis que são ‘invisíveis’, aqueles de que pouco se fala, mas que reinam sem alarido. O Gambrinus merece dupla vénia, não só por ter o nome inspirado num mítico rei da cerveja que habitava algures na Flandres, mas também por ter o reinado ininterrupto mais longo como restaurante de luxo. Abriu como cervejaria no local atual em 1936 e foi amplamente renovado 1964, ficando com patine e requintado. Conforme documenta o trabalho minucioso de Pedro José Barros, “50 Anos, 50 Restaurantes”, o Tavares aguarda novo fôlego, o Portucale (1969) e o Pabe (1972) são posteriores.

A longevidade do luxuoso Gambrinus ter-lhe-á garantido um posto? A porta está habitualmente fechada, mas quando chegámos havia pessoas a aguardarem mesa. Abençoada reserva, cada vez mais obrigatória, e que deve ser sempre respeitada. Nessa noite houve vários no shows (reservas com mesas vazias). Numa ida aos lavabos, ouvi a equipa comentar discretamente as ‘faltas’ dos clientes, sem que isso interferisse na dinâmica do serviço e da refeição. Que tinha que começar com os clássicos “Croquetes” (€2,40 / unid.) a manterem a qualidade que fizerem deles um ícone da barra, quando se entra no restaurante. Recheio de qualidade, carne picada, nem espapaçada ou esfarelada, fritura enxuta no momento e calibre médio. O melhor elogio que se lhes pode fazer é que servem de benchmark aos concorrentes que querem ter um bom croquete nas suas cartas. Aqui continua a ser feito com boa carne, mas não com cortes ou raças de excelência, o que iria desvirtuar a essência de uma receita popular. São simplesmente deliciosos — há décadas!