Televisão

Televisão: O esquecimento do mundo em “Esterno Notte”, uma série espantosa de Marco Bellocchio

6 janeiro 2023 23:04

Jorge Leitão Ramos

Jorge Leitão Ramos

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Jornalista

No caso Moro, ninguém tem as mãos limpas — é também por isso que se pode dize que é uma tragédia sem heróis

Marco Bellocchio volta ao caso Moro numa série onde se fixa a rigidez do Estado italiano a conduzir ao assassínio executado pelas Brigadas Vermelhas

6 janeiro 2023 23:04

Jorge Leitão Ramos

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Jornalista

O rapto, detenção e assassínio de Aldo Moro, em Maio de 1978 — no termo de um cativeiro de 55 dias — foi um acontecimento político que marcou a República italiana como um ferro em brasa. Muito se tem escrito e especulado sobre o negrume que envolve todo aquele acontecimento, com perenes perguntas sem resposta. É enigmática a perfeita coincidência do ataque à comitiva de Moro com o dia em que o Parlamento ia aprovar o primeiro Governo que teria votos favoráveis da Democracia-Cristã e do Partido Comunista — o compromisso histórico abominado quer por Washington, quer por Moscovo. É estranho que, desse ataque, não restassem sobreviventes além dos brigadistas, nenhuma testemunha. É significativo que, desde o primeiro momento, as autoridades de Roma tenham feito apelo a um ‘negociador’ americano, um psicólogo perito em casos de rapto, na realidade alguém que esteve, todo o tempo, a garantir que nada se negociasse. O que é facto é que o Estado se manteve inflexível, o Vaticano impotente, a Polícia inapta. E Aldo Moro acabou a carregar a sua cruz e a invectivar o poder: “O meu sangue cairá sobre vós.”

Este é um artigo do semanário Expresso. Clique AQUI para continuar a ler.