Teatro

Teatro: “A Tragédia de Macbeth” num mundo de sombras

21 janeiro 2023 12:29

A personagem Macbeth é interpretada por António Mortágua

bruno bravo

Na sua visão de “Macbeth”, Bruno Bravo privilegia a solidão das personagens, mas também uma surpreendente humanidade. No CAL (Centro de Artes de Lisboa), até dia 28

21 janeiro 2023 12:29

De todas as peças de Shakespeare, “A Tragédia de Macbeth”, ou “Macbeth”, destaca-se pela sua brevidade; tem cerca de metade do tamanho de “Hamlet”, que é a mais longa; a esta brevidade junta-se uma unidade, uma coesão interna de todos os elementos — personagens, situações, tempo, linguagem — de tal modo que a tragédia se nos oferece um pouco como um objeto que, à nossa vista ou à nossa leitura, passa com a velocidade de um corpo celeste, deixando, contudo, o rasto de uma estranha luz que perdura em nós por muito tempo, depois da sua passagem. “Macbeth” é uma peça atravessada pela guerra; não tanto pela guerra enquanto intriga, antes pela guerra enquanto estrutura temática, que configura, ou que arrasta consigo, uma muito especial imagem do mundo. É um mundo cuja lógica habitual, cujas regras, estão, agora, totalmente subvertidas. Em “Macbeth”, é uma espécie de mundo crepuscular que está no lugar do mundo que conhecemos com dias e noites, luz e escuridão, em pares que apontam para um equilíbrio subjacente, mesmo quanto esse equilíbrio é precário. “Macbeth” é uma peça sombria, escura, da qual a luz, como a conhecemos, parece estar arredada. “Vem, noite escura/ Venda o olhar meigo do piedoso dia”, diz Macbeth; “os bens do dia caem sonolentos/ e os predadores noturnos rondam lentos”, conclui, numa das suas eloquentes reflexões sobre o mundo que, na peça, nos é representado.

Este é um artigo do semanário Expresso. Clique AQUI para continuar a ler.