Teatro

Antes, aqui, e agora: a Revolução Francesa no Teatro Nacional D. Maria II

28 outubro 2022 20:03

Uma ficção que dá a ver uma perturbação global de uma ordem nacional que, do ponto de vista histórico, fará sentir-se muito além da França

“Ça ira (1) Fin de Louis”, de Joël Pommerat, coloca a Revolução Francesa numa perspetiva contemporânea. Até domingo

28 outubro 2022 20:03

Um palco aberto, uma mesa comprida, homens de fato, um anúncio ao país: o rei está determinado a tomar medidas drásticas para enfrentar a crise financeira. Fala em seguida o ministro responsável pelas finanças. Sabemos que é o rei quem fala? Muitas pessoas relacionarão, com razão, o título do espetáculo com Luís XVI e Revolução Francesa de 1789. E, antes de sair para nos deixar com o ministro, ele, o Rei, termina a breve alocução com “Que Deus nos proteja. Viva a monarquia francesa. Viva a França!” Frases protocolares e banais; o que destoa, relativamente ao tempo presente, e em França, será o “que Deus vos proteja” e, principalmente, a referência à “monarquia francesa”. Por muito que alguns presidentes, mais ou menos recentes, sugiram o modelo da realeza, o “viva” hoje virá antes de “república”. Mas, não esqueçamos, há países onde há reis, rainhas e formas diversas de interação da monarquia na vida pública. Se o “Fim de Luís” pode, com razão, levar-nos para a figura de Luís XIV, já “Ça ira” pode, também, levar-nos para uma famosa canção dos tempos da Revolução cujos versos vão adquirindo, progressivamente, um carácter sintomaticamente violento — fala-se de dar a morte aos aristocratas e pendurá-los nos postes de iluminação.

Este é um artigo do semanário Expresso. Clique AQUI para continuar a ler.