Música

Música: Martin Terefe juntou a nata da nova geração do jazz britânico

5 maio 2023 16:11

O coletivo London Brew, com a nata da nova geração do jazz britânico

Aqui se destacam músicos como o baterista Tom Skinner ou os saxofonistas Shabaka Hutchings e Nubya Garcia. Com “Bitches Brew”, de Miles Davis, no pensamento

5 maio 2023 16:11

Quando surgiu nas lojas, em finais de março de 1970, “Bitches Brew” chocou pelo menos tanto quanto arrebatou. De um lado, a fação mais conservadora do jazz, estupefacta com a consciente implosão do cânone e incapaz de compreender a densa, eletrificada e ruidosa música que Miles Davis aí conjurou, juntamente com músicos como o recentemente desaparecido saxofonista Wayne Shorter, os pianistas Joe Zawinul e Chick Corea ou o guitarrista britânico John McLaughlin; do outro, um novo público, com ouvidos educados pelos abismos elétricos escavados por Jimi Hendrix e com as ancas sintonizadas no libertário funk de Sly Stone, com a cabeça aberta o suficiente para ser capaz de, na mesma noite, aplaudir Miles e os Grateful Dead.

Em 2020, Martin Terefe, produtor sueco sediado em Londres, organizou um novo coletivo com o intuito de homenagear esse registo musical fundador. Recorrendo à nata da nova geração do jazz britânico — onde se destacam músicos como o tubista Theon Cross, o baterista Tom Skinner (também parte de The Smile, com Jonny Greenwood e Thom Yorke, dos Radiohead) ou os saxofonistas Shabaka Hutchings e Nubya Garcia —, os London Brew deveriam ter subido a um palco para celebrar o espírito de Miles e a vibrante música de “Bitches Brew”, mas as restrições pandémicas forçaram a uma mudança de planos e os Church Studios acabaram por ser o laboratório escolhido para a experiência.