Música

Música: “Fedora”, canto de amor e morte

21 janeiro 2023 15:18

Sonya Yoncheva (Fedora) e Piotr Beczala (Loris) na nova produção da ópera de Giordano no Met

ken howard/met opera

O Met de Nova Iorque celebra o Ano Novo com uma nova produção de “Fedora” de Giordano. É transmitida este sábado, às 18h, na Gulbenkian, em Lisboa

21 janeiro 2023 15:18

Um francês, Victorien Sardou, escreveu a peça (para Sarah Bernhardt); um croata, Arturo Colautti, condensou-a num libreto, e um italiano, Umberto Giordano, compôs a ópera. Os protagonistas são russos e os três atos ocorrem em São Petersburgo, Paris e Alpes suíços. O Met estreou a nova produção de “Fedora” (1898) na Noite de Ano Novo com soprano búlgara e tenor polaco, sob a direção de encenador escocês e maestro italiano. Confesso que tenho um fraquinho por esta ópera europeia, estreada tardiamente em Lisboa (1946) por Maria Caniglia e Beniamino Gigli, e ouvida pela última vez em São Carlos em 1968, com Antonietta Stella e Aldo Bottion. As personagens são imperfeitas, o enredo é inverosímil, mas em tempos de agitação ideológica quem se importa? Na Rússia o nihilismo fazia das suas — o Czar Alexandre II fora assassinado em 1881— e a revolução vinha a caminho.

“Fedora” segue uma narrativa detetivesca. O conde Vladimiro Andrejevich, noivo da rica viúva Princesa Fedora Romazov, é assassinado (I ato); Fedora jura vingança, descobre que o assassino é o conde Loris Ipanov, denuncia-o, mas acaba apaixonada por este ao saber que Vladimiro era amante de Wanda, mulher de Loris (II ato); a denúncia teve efeitos (morte do irmão e da mãe de Loris), restando a Fedora a solução do suicídio (III ato).