Livros

De Lobo Antunes a Tokarczuk, de Soyinca a Whitehead, são muitos os livros para ler na rentrée 2022

Esta foi a semana em que as editoras apresentaram o que têm planeado para o que resta do ano. As propostas multiplicam-se num setor livreiro apostado em sobrepor-se à crise nas carteiras dos portugueses

9 setembro 2022 13:26

Ano após ano, assistimos à rentrée literária como se assiste — se tal existisse — a um renascimento. É toda uma nova paisagem livreira que está prestes a ganhar o seu lugar no mapa da língua portuguesa. Num ano de contenção, o sentido da escolha será essencial para que os leitores exerçam os seus direitos — nomeadamente o de não ler ou o de ler “não importa o quê” —, como há muitos anos escreveu o francês Daniel Pennac, no livro “Como um Romance” (ASA). Assim, deixamos-lhe aqui um guia para não se perder no emaranhado de livros novos que irão ocupar as estantes das livrarias.

Já em finais de agosto tínhamos tido a notícia de que José Gardeazabal lançava novo romance, “Quando Éramos Peixes”, pela Companhia das Letras. O Grupo Penguin, no qual se inclui esta chancela, propõe, para setembro, e ainda na categoria de ficção, “Histórias Bizarras” da polaca Olga Tokarczuk e “Junto ao Mar”, do tanzaniano Abdulrazak Gurnah, ambos prémios Nobel e editados pela Cavalo de Ferro. “Ao Ritmo do Harlem”, novo livro de Colson Whitehead vem pela mão da Alfaguara, que em outubro lança “Vejam como Dançamos” da franco-marroquina Leïla Slimani e em novembro o primeiríssimo romance de Javier Marías, “Os Domínios do Lobo”, publicado há 50 anos.

São também esperados os romances “Medeia e os seus Filhos”, da russa Ludmila Ulitskaya, em outubro, e a “Septologia I-II” do norueguês Jon Fosse, em novembro, ambos pela Cavalo de Ferro; assim como “O Santo Ilusionista”, de Cláudia Andrade, pela Elsinore. Teremos acesso a mais um livro de Judith Schalansky, “O Pescoço da Girafa”, pela Elsinore. No campo da não-ficção, aparecem “As 7 Vidas de José Saramago, de Miguel Real e Filomena Oliveira, na Companhia das Letras, e “Viagem ao Coração de uma Guerra Futura”, do jornalista Paulo Moura, na Objectiva.

A Porto Editora propõe, para começar, uma homenagem a José Saramago no ano do centenário, escrita pela mulher, a jornalista Pilar del Río, e intitulada “A Intuição de uma Ilha”. Em outubro, o Nobel nigeriano Wole Soyinka publica por cá “Crónicas do Lugar do Povo mais Feliz da Terra”, o seu primeiro romance após 50 anos de silêncio. Destaque igualmente para “Abelhas Cinzentas”, de Andrei Kurkov, um dos mais importantes escritores ucranianos da atualidade.

E enquanto a Contraponto integra no catálogo “As Cores das Coisas”, de Rosa Alice Branco, a Assírio & Alvim aventura-se na primeira edição integral por cá realizada dos poemas do romeno Paul Celan, traduzidos por Maria Teresa Dias Furtado. Já a Livros do Brasil apresenta, entre outros, mais um romance da francesa Annie Ernaux, “O Acontecimento”, e o volume “Bábi Iar”, de Anatóli Kuznetsov, pela primeira vez editado por inteiro, com prefácio de Irene Flunser Pimentel.

No conjunto de projetos da LeYa para o que resta deste ano, destacam-se as obras de ficção da chancela D. Quixote: setembro com “Os Abismos do Mar”, da colombiana Pilar Quintana (prémio Alfaguara 2021) e a “Trilogia de Copenhaga” da dinamarquesa Tove Ditlevsen; outubro com “A Família Netanyahu”, de Joshua Cohen, prémio Pulitzer 2022 de ficção, e o novo romance de António Lobo Antunes no ano do seu 80º aniversário, “O Tamanho do Mundo”. “Mãe, Doce Mar”, de João Pinto Coelho, é outra das novidades, assim como “Misericórdia”, de Lídia Jorge, e Um Crime de Categoria”, a estreia em Portugal do segundo livro de John Le Carré, e “Linguagens da Verdade”, volume de ensaios de Salman Rushdie.

A ASA publica “Linha da Frente”, o romance de Arturo Pérez-Reverte sobre a guerra civil espanhola, enquanto a Caminho aposta na “História de Roma”, de Joana Bertholo, e em “Pedra Branca”, de Ethel Feldman e Miguel Vale Almeida.

O livro “Não Matarás”, de Teresa Martins Marques, baseado numa extensa investigação sobre o assassinato de Aldo Moro, chega às livrarias editado pela Gradiva, que também publica “Terrinhas”, de Catarina Gomes, romance vencedor do Prémio Literário Revelação Agustina Bessa Luís. Por sua vez, pela Presença chega até nós “O Nosso Irmão”, de Clara Dupont-Monod, vencedor do Prix Femina 2021. Da programação da editora Guerra & Paz destaca-se o livro “Direita e Esquerda”, de Joseph Roth; “Adeus, Casablanca”, de João Céu e Silva; e “Poemas em Tempo de Guerra Suja”, de Eugénio Lisboa.

Finalmente, os lançamentos da Bertrand Editora incluem “A Minha História na Física — O Voo dos Estorninhos e Outros Sistemas Complexos”, de Giorgio Parisi, Nobel da Física 2021; “Questões Escaldantes”, ensaios e textos ocasionais de Margaret Atwood entre 2004 e 2021; “Rússia — Revolução e Guerra Civil (1917- 1921)”, do historiador Antony Beevor; e “Portugal na História — Uma identidade”, do também historiador João Paulo Oliveira e Costa.

A Quetzal, que faz parte do Grupo Bertrand, inicia o ano literário com “Intimidades”, da norte-americana Kate Kitamura, e com um dos livros mais emblemáticos da sua conterrânea Susan Sontag, “Contra a Interpretação”. “A Mais Secreta Memória dos Homens”, que foi Prémio Goncourt em 2021, de Mohamed Mbougar Sarr, é lançado em outubro, bem como “Luiz Pacheco. Uma Biografia”, de António Cândido Franco, e “Metamorfose Necessária”, de Tolentino Mendonça.