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Exposição: elogiada pela crítica especializada, “Just Above Midtown” apresenta espaços de mudança no MoMa

8 janeiro 2023 23:41

João Pacheco

Agora e até 18 de fevereiro, a exposição “Just Above Midtown: Changing Spaces” leva os espaços de mudança da JAM ao MoMa, também em Nova Iorque

8 janeiro 2023 23:41

João Pacheco

Quando o pintor afro-americano Palmer Hayden morreu há 50 anos, faltava pouco para ser inaugurada a galeria Just Above Midtown (JAM). A JAM foi fundada sem dinheiro em 1974, só com os cartões de crédito da historiadora de arte e ativista afro-americana Linda Goode Bryant, que ao mesmo tempo dirigia o departamento de educação do Studio Museum in Harlem, aos 25 anos e com dois filhos. Ao longo de 12 anos, a galeria passou por três espaços, todos em bairros centrais de Nova Iorque, sofrendo três processos de despejo até terminar em 1986. Pelo caminho, foi um ponto de encontro marcante e uma exceção no mundo das artes em Nova Iorque, por ser propriedade de alguém negro. E apesar de na JAM ter havido por exemplo espaço para artistas brancos ou índios americanos, há uma série de artistas afro-americanos da mesma geração que ficaram ligados a estes 12 anos de vanguarda, como David Hammons ou Howardena Pindell. Agora e até 18 de fevereiro, a exposição “Just Above Midtown: Changing Spaces” leva os espaços de mudança da JAM ao MoMa, também em Nova Iorque. A exposição, que tem colecionado elogios da crítica especializada, mistura material de arquivo, como contas que a galeria não conseguiu pagar, com obras de arte, como por exemplo uma pintura (na imagem) de Palmer Hayden (1890-1973). Chama-se “The Subway” e terá sido criada por volta de 1941. A vida do pintor Palmer Hayden foi muito diferente da experiência dos artistas que viveram os anos de criatividade da JAM, que dava também espaço ao vídeo, à dança, à performance, às colaborações entre artistas e à possibilidade de falhanço, por não ser uma estrutura orientada para o mercado. Hayden trabalhou num circo, começou a desenhar cartazes para o dito circo e passou vários anos no exército. Acabou por estudar e por participar no movimento cultural Harlem Renaissance, que afirmou a negritude nos Estados Unidos no início do séc. XX. E viveu em Paris. Aliás, uma das pinturas mais famosas de Hayden é um autorretrato parisiense. Chama-se “Nous Quatre à Paris” (Nós os Quatro em Paris) e mora agora no Met, em Nova Iorque. Foi vendida em 1975, pela Just Above Midtown.

Este é um artigo do semanário Expresso. Clique AQUI para continuar a ler.