Exposições

Arshile Gorky e Jorge Queiroz na Gulbenkian: convulsão contra convulsão

22 julho 2022 11:42

José Luís Porfírio

José Luís Porfírio

texto

Jornalista

Pinturas de Jorge Queiroz e desenhos de Gorky e instalados em painéis em escadinha de onde saem duas pernas e dois pés

ricardo lopes

A ideia era boa: reunir numa mesma exposição Arshile Gorky e Jorge Queiroz. A concretização é muito mais do que uma boa intenção

22 julho 2022 11:42

José Luís Porfírio

José Luís Porfírio

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Jornalista

A mostra partiu de um convite, um desafio, do CAM a Jorge Queiroz (Lisboa, 1966), datando ainda do tempo de Penélope Curtis, pois estava prevista para 2020. E foi sendo adiada até hoje, agora plenamente assumida por Benjamin Weil, responsável pelo CAM, e comissariada por Ana Vasconcelos. Jorge Queiroz aceitou o desafio, pedindo também para escolher as obras de Arshile Gorky (arménio-americano 1904-1948), e mais, para desenhar o espaço, transformando a galeria das temporárias numa instalação de pintura e desenho, mostrando um vaivém entre dois artistas separados no tempo e no espaço, mas aproximáveis pelas poéticas convulsivas que neles moram.

A primeira sensação ao entrar naquele espaço é a de uma abertura que o amplia, depois o tratamento do chão cor de areia absorvente e mole, das paredes negras, articuladas numa escadinha de planos que se somam, da presença de duas pernas e dois pés que se podem ler como sombras de uma presença ausente ou como manchas que escorrem do negro das paredes para o chão — tudo isso transforma o espaço num lugar aberto, sim, mas inquietante. Encontramo-nos perante um percurso como que dançado, onde vamos passando, a par e passo incerto, por obras do último período de Gorky, o mais grave, e por obras de Queiroz, um certo número delas feitas expressamente para esta exposição.