A Revista do Expresso

Para onde vai Portugal? Um ensaio sobre o futuro da democracia

13 janeiro 2023 8:41

José Tavares PROFESSOR NA NOVA SBE, DOUTORADO EM ECONOMIA NA UNIVERSIDADE DE HARVARD E AUTOR DO ENSAIO “Democracia, Participação e Pluralismo: Que Futuros?”

FUTURO Detalhe do pavilhão dedicada à artista robô Ai-Da na Bienal de Veneza de 2022. A automação atingirá um número muito significativo de tarefas, e desta vez não serão poupadas as profissões relativamente bem remuneradas da classe média

stefano mazzola/getty images

A qualidade da democracia e capitalismo domésticos precisam de um sobressalto. A era do grande salto em frente da democracia, quantitativo, ocupou uma ou duas décadas a seguir ao 25 de Abril. O tempo agora é do qualitativo

13 janeiro 2023 8:41

José Tavares PROFESSOR NA NOVA SBE, DOUTORADO EM ECONOMIA NA UNIVERSIDADE DE HARVARD E AUTOR DO ENSAIO “Democracia, Participação e Pluralismo: Que Futuros?”

lguém já caracterizou aquilo a que chamamos de progresso como o avanço irreversível da ideia de liberdade. Será? Já foi mais do que é, assim nos dizem os sinais. Diz-se que o presente faz o passado e o futuro, ao mesmo tempo. Quanto ao futuro da liberdade, já há gente de mãos juntas a pôr-se de joelhos. Acabaram-se as certezas. Temos a sensação de que o futuro está a ser feito à nossa frente, mas sem a nossa participação. Além da hipótese mais feia, de mais e mais guerra, há um futuro B à nossa espreita, um futuro que não queremos.

Depois de um adormecimento temporário, o futuro regressou. Acabou a sua forma de aventura linear, desimpedida e feliz quando o mundo tinha à sua frente nada menos do que o aprofundamento da democracia e da liberdade, de uma progressiva igualdade de oportunidades. Não aconteceu, não estamos aí. O futuro desorganizou-se, confunde e assusta, assola-nos com novidades para as quais não conhecemos a resposta, que ameaçam os fundamentos da democracia liberal. A pergunta impõe-se: vamos deixar o futuro dispensar a liberdade e a democracia?