A Revista do Expresso

Números que passam entre os pingos da chuva

15 janeiro 2023 16:55

Sobre a calçada portuguesa, tem chovido a potes. Os valores de precipitação atingiram, nos últimos meses de 2022, valores acima da média. Portugal parece estar só a acompanhar a tendência europeia, continente onde um décimo da população urbana vive em zonas de risco de inundações

15 janeiro 2023 16:55

Se lhe dói alguma coisa, o mais certo é chover amanhã. Não é pois do conhecimento popular que há algo de meteorológico nas articulações do ser humano? Aquele osso que partiu a jogar à macaca nos intervalos do primeiro ciclo de escolaridade dá sinais de si sazonalmente, antecipando a própria previsão do estado do tempo. Mas com tamanhos dotes, que excedem a capacidade do esticar de um dedo húmido capaz de indicar o desvio do vento, como é que ninguém previu as cargas de água que têm inundado, região a região, a calçada portuguesa?

Ainda para mais quando é dito e sabido que abrir o guarda-chuva dentro de casa dá azar. Mas como evitá-lo, se já esteve mais longe chover lá dentro? Não haverá maior azar que esse. Que o digam as grandes metrópoles, últimas vítimas de pesados baldes de água. Talvez seja este o início de uma competição com as regiões detentoras do título de mais pluviosas. São elas o Minho — cuja capital beneficia da alcunha “penico do céu” — e o Douro Litoral, segundo o meteorologista Jorge Ponte, do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).