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Duarte Cordeiro contra crise política: “Não podemos confundir uma ou outra situação com o normal funcionamento das instituições”

Duarte Cordeiro contra crise política: “Não podemos confundir uma ou outra situação com o normal funcionamento das instituições”

Ministro do Ambiente e da Ação Climática culpa a “direita radical” – em que inclui Iniciativa Liberal e Chega – pelo clima de pré-crise política e defende cumprimento do mandato do Governo. Em entrevista ao DN e à TSF, o ministro do Ambiente admite revisão das tarifas para carregar carros elétricos e assume que a redução dos preços da energia só se vai refletir “um pouco mais à frente” na inflação

Duarte Cordeiro contra crise política: “Não podemos confundir uma ou outra situação com o normal funcionamento das instituições”

Ângela Silva

Jornalista

“Quem hoje não está comprometido com a estabilidade não pode amanhã ter legitimidade para fazer qualquer apelo para a estabilidade”, afirma Duarte Cordeiro, numa entrevista ao DN e à TSF em que tenta afastar cenários de uma crise política e defende que o mandato governamental deve ser cumprido.

“Se nós temos erros, eles são corrigidos. As pessoas têm todo o direito, obviamente, nas futuras eleições, de não votar no Partido Socialista, mas os mandatos devem ser avaliados pelo seu período”, afirma o ministro do Ambiente e dirigente do PS, considerando que “não podemos, independentemente de haver uma ou outra situação que mereça a nossa crítica, que mereça correção, até que mereça apuramento de responsabilidades políticas, confundir isso com o normal funcionamento das instituições”.

Cordeiro defende que “o país precisa de estabilidade para poder ter resultados a médio e longo prazos” e avisa que “isto é válido para a direita moderada”, embora considera que esta está a ser “altamente influenciada pela direita radical”.

“Muitos destes episódios resultam de uma direita radical, seja a Iniciativa Liberal ou a extrema-direita do Chega, com apelos a demissões para qualquer episódio que aconteça”, diz, sem se referir ou analisar os inúmeros casos que têm abalado o Governo de António Costa.

No que toca à área que tutela, Duarte Cordeiro anuncia que o Governo quer associar o ano de 2023 ao estudo de uma redução de preço no carregamento, que torne verdadeiramente atrativo o carro elétrico e que poderá passar por uma redução tarifária.

“Queremos reavaliar os incentivos da mobilidade elétrica – anuncia o ministro – talvez avancemos para uma lógica de redução da tarifa de eletricidade e, futuramente, de hidrogénio nos transportes, em vez de continuar a investir em equipamentos”. Este ano, explica, vão manter-se “os apoios nos mesmos termos", mas será avaliado "se não faz sentido começar a ter uma diferença grande entre o consumo de eletricidade para automóvel e o combustível fóssil”.

Quanto ao impacto que as medidas tomadas pelo Governo nos últimos meses no setor energético possam vir a ter nos preços, Duarte Cordeiro é cauteloso. “A energia está na cadeia de produção e muitas vezes hoje ainda estamos a lidar com produtos que pagaram o preço de energia lá atrás. Há um efeito que não é imediato. Portanto, vai ter um efeito necessariamente de redução dos preços um pouco mais à frente”, diz.

Alertando que “o que marcou este primeiro ano do Governo foi o facto de ter existido a guerra e as consequências da guerra na vida dos portugueses”, o ministro diz que “a verdade é que as políticas adotadas estão a produzir efeitos”.

Tem dúvidas, sugestões ou críticas? Envie-me um e-mail: AVSilva@expresso.impresa.pt

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