Revista de imprensa

Quase 800 médicos reformaram-se do SNS este ano: é o número mais alto da última década

27 dezembro 2022 10:04

tiago petinga/lusa

Dados foram partilhados pela Administração Central do Sistema de Saúde com o jornal “Público”. Falta de médicos nos próximos dois, três anos será difícil de contornar

27 dezembro 2022 10:04

O número de médicos do SNS que se reformaram este ano é o mais alto da última década: 726 médicos especialistas deixaram o serviço público até novembro, a que se juntam outros 56 cuja reforma estava marcada para este mês de dezembro. Os dados são da Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS), citados pelo jornal “Público” esta terça-feira.

No total, são 782 profissionais a abandonar o SNS: até aqui, o ano com mais saídas tinha sido 2014, durante a crise da troika, quando 712 médicos deixaram de exercer no serviço público.

“Muitos médicos de família continuam a trabalhar até aos 70 anos e é isso que nos tem ajudado”, diz o médico João Rodrigues, que coordenou a reforma dos cuidados de saúde primários pedida pela ex-ministra da Saúde Marta Temido. Neste momento, os dados oficiais dizem que há 428 médicos aposentados que continuam no ativo no SNS. Este regime foi criado em 2010 para ajudar a estancar a sangria de médicos do SNS.

Rui Nogueira, ex-presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar, acredita que são poucos os médicos que queiram ficar no SNS até aos 70 anos devido às fracas condições de trabalho e aos baixos salários. “Estamos muito cansados, muito desanimados”, diz. Para João Rodrigues, será difícil evitar a falta de médicos no SNS nos próximos dois, três anos, sobretudo em especialidades como medicina geral e familiar.