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Nuno Amado: “Os banqueiros tinham uma ideia de si que era superior à realidade e falavam sobre temas que não deveriam ter abordado”

ANDRE KOSTERS / LUSA

Segundo Nuno Amado, presidente não executivo do BCP, o peso da banca espanhola em Portugal está “no limite”

A queda do Lehman Brothers (LB), em 2008, levou a uma descredibilização do sector bancário e os seus trabalhadores, assume Nuno Amado, presidente não executivo do BCP, em entrevista ao “Público” esta segunda-feira.

“Existe uma percepção negativa sobre a profissão de banqueiro, reconheço-o. Talvez pelos nossos próprios erros e pela forma exagerada e incorrecta como muitos actuaram no passado e, por vezes, até com falta de princípios. E os banqueiros tinham uma ideia de si que era superior à realidade e falavam sobre temas que não deveriam ter abordado”, diz.

Ainda na mesma conversa, questionado a propósito do peso da banca espanhola em Portugal, Nuno Amado disse que este está “no limite”. “Defendo que na banca, em Portugal, deve haver diversidade: banca de base nacional e estrangeira; banca privada e pública, e isto, pelo quadro de incerteza que existe em termos internacionais; capital estrangeiro com origens diferentes; dimensões diferentes. Sou defensor deste modelo há muitos anos”, afirmou.

Quanto a um possível défice de concorrência na banca (tese defendida por Pedro Rebelo de Sousa, membro dos orgãos sociais do BCP), o banqueiro disse por discordar dessa ideia. “Os spreads dos vários produtos, crédito á habitação e crédito às empresas - mesmo naquelas com um rating normal, que nem é rating bom - voltaram a ser concorrenciais. E na minha opinião o custo do dinheiro até é inferior ao que deveria ser. Hoje em dia qualquer cliente tem quatro ou cinco bancos onde pode procurar as melhores condições. O crédito novo em Portugal é feito em condições muito alinhadas com o resto da Europa”, disse.

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