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“Não ponha as mãos no fogo por escolhas políticas” nos hospitais

António Correia de Campos, presidente do Conselho Económico e Social

António Correia de Campos faz duras críticas ao modelo de gestão que vem sofrendo nos últimos anos o SNS e, no momento em que se discutem as alterações à Lei de Bases da Saúde, chama a atenção para uma possível oligopólio na entrega da gestão hospitalar a privados

Um terço dos gestores hospitalares é uma escolha política. E eu não ponha as mãos no fogo por escolhas políticas",
declara António Correia de Campos, presidente do Concelho Económico e Social (CES), numa entrevista publicada este domingo no "Diário de Notícias.

"Os privados dizem que há pouco dinheiro para a saúde, não concordo nada com isso. Há muito dinheiro para a saúde, só que esse dinheiro é uma entregue parte no princípio, depois vai-se entregando... ", disse António Correia de Campos, referindo-se aos resultados do relatório sobre a Conta Geral do Estado: "Em 2017 o setor da saúde transitou com 836 milhões de dívidas (a 60 dias) e recebeu 1151 milhões de reforços orçamentais ao longo do anos. O dinheiro cedo ou tarde vem".

Correia de Campos, que foi ministro da Saúde no governo de José Sócrates, participou numa conferencia na sexta-feira sobre os 40 anos do Serviço Nacional de Saúde (SNS). Já nesse dia fez duras críticas ao modelo de gestão que vem sofrendo nos últimos anos, avisando que que "nos moldes em que decorre em 2018, corre o risco de se tornar numa caricatura" do programa que foi estabelecido pelos seus fundadores, em 1979 e, considerado desde então um modelo de gestão de saúde entre parceiros internacionais.

No encerramento da conferência "A Saúde e o Estado: o SNS aos 40 anos", Correia de Campos alertava para o desvanecimento do caráter universal do nosso Serviço Nacional de Saúde, referindo-se que era usado de forma continuada apenas por três quartos dos portugueses e que a prestação geral de cuidados se tornou incompleta em muitas das suas especialidades.

Apesar de também considerar que com todos os problemas que enfrenta, esteja ainda muito longe de "uma crise grave", Correia de Campos defende que "necessita de uma atenção exigente e imediata". E numa altura em que decorre a discussão sobre as alterações à Lei de Bases da Saúde para o presidente do CES deve-se ter em conta que o "SNS não existe para dar empregos mas para servir os portugueses."

Sobre o documento estratégico para o SNS apresentado pelo PSD, Correia de Campos adiantou ao "DN" que considera que esta proposta tem "um elemento positivo em que a gestão dos hospitais seria concessionada ao setor privado". No entanto, alertou de é preciso também ter conta que no setor privado, gestionário, apenas três ou quatro grandes grupos têm uma boa experiência de gestão hospitalar: "Se se abrisse um concurso para a concessão dos hospitais os concorrentes e os adjudicatários seriam esses três ou quatro grupos. E a pergunta que faço é esta: Será que interessa ao Estado português transformar o setor público , que hoje controla, num oligopólio controlado por esses poucos grupos privados?"