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Tiago Brandão Rodrigues: “O Governo não enganou os docentes e não enganou os seus representantes através das organizações sindicais”

ANTÓNIO COTRIM / Lusa

Segundo Tiago Brandão Rodrigues, o relatório anual da OCDE 'Education at a Glance', que veio a público na semana passada, não foi uma “bomba”. “Não tem nenhuma interferência da parte dos países. Não há aqui nenhum tipo de manipulação”, diz, em entrevista ao “Público” esta segunda-feira

Após meses de negociações com os sindicatos, mas sem sucesso algum, o Governo de António Costa decidiu avançar para a contabilização de dois anos, quatro meses e 18 dias do tempo de serviço dos professores para efeitos de carreira, valor muito distante dos nove anos exigidos pelos professores. Em entrevista ao “Público” esta segunda-feira, o ministro da Educação Tiago Brandão Rodrigues garante que o Governo “deu um passo”, os sindicatos é que não.

“O Governo não enganou os docentes e não enganou os seus representantes através das organizações sindicais. Além disso, demos um passo quando apresentámos a proposta de contabilização dos dois anos, nove meses e 18 dias, que são 70% dos quatro anos que é o impulso de carreira dos professores. Desde aí, os sindicatos foram absolutamente inflexíveis”, diz.

Segundo Brandão Rodrigues, nunca foi dito aos sindicatos que a variável tempo não iria ser negociada. “O que se decidiu pôr na lei do Orçamento do Estado [OE] de 2018 foi que, da mesma forma que aconteceu com todos os outros funcionários públicos, os docentes e todos os outros trabalhadores da Educação iriam ter as carreiras descongeladas a partir do dia 1 de janeiro de 2018. De 2011 a 2017, as sucessivas leis do OE foram muito claras: disseram que todos os funcionários públicos não progrediam e que aqueles que progrediam maioritariamente pelo fator tempo não veriam contabilizado nenhum tempo”, frisou.

Relatório da OCDE “não é uma bomba”

O relatório anual da OCDE 'Education at a Glance', que veio a público na semana passada, caiu como uma bomba entre a classe docente, devido a uma das conclusões apresentadas: os professores recebem 35% mais do que a média dos restantes trabalhadores qualificados. Houve vozes dentro dos sindicatos a acusarem o Governo de manipulação dos dados, de populismo.

“Não me parece que esse relatório seja uma bomba. Esse é um relatório anual, feito por uma organização internacional que aparece, tal como o Natal, sempre na mesma altura. Não tem nenhuma interferência da parte dos países. Não há aqui nenhum tipo de manipulação. Isso seria pôr em causa as organizações internacionais”, disse Tiago Brandão Rodrigues, quando questionado a propósito do relatório.