Algarve

A revolução da cidade lacustre

11 julho 2008 18:28

Sofia Cavaco Silva/Jornal do Algarve

A cidade lacustre será construída em torno de 30 hectares de lago com algumas ilhas. Está previsto que o investimento global de todos os espaços turísticos, comerciais e habitacionais atinja os mil milhões de euros

O projecto deverá arrancar para o terreno no final de 2008 e os responsáveis acreditam que Vilamoura será ponto de passagem obrigatório no que toca a destinos de luxo a nível mundial.

11 julho 2008 18:28

Sofia Cavaco Silva/Jornal do Algarve

 Até 2012 Vilamoura vai assistir a uma verdadeira revolução com a construção daquele que é considerado um dos projectos mais ambiciosos a nível regional e nacional em termos turísticos. Trata-se da cidade lacustre, uma nova área residencial, turística e comercial que a empresa promotora, a Lusort, acredita que passará a ser um ponto de visita obrigatório a nível internacional à semelhança da Torre Eiffel ou Veneza.

Apresentado pela primeira vez há cerca de dois anos e meio, o projecto tem estado em fase de estudos e elaboração de projectos de execução, anteprojectos e análises de impacte ambiental e deverá arrancar para o terreno até ao final deste ano. O Jornal do Algarve esteve no local, onde o responsável das relações externas da Lusort, Jorge Moedas explicou o projecto.

"Uma cidade do futuro completamente ligada à água" é como Jorge Moedas explica esta nova cidade que irá nascer em Vilamoura. "Uma cidade do futuro que tem um cuidado extremo quer em termos de arquitectura quer em dinâmica funcional e nos mais pequenos detalhes do quotidiano da vida, como por exemplo a recolha dos resíduos vai ser pneumática, ou seja, uma cidade do futuro em toda a medida sustentável.

Uma cidade ligada à água porque, de facto, estamos a falar de uma cidade construída em torno de 30 hectares de lago com algumas ilhas e é em torno dos canais e dos lagos que se distribuem as residências, as estações turísticas e as zonas comerciais", acrescentou. Grande parte das residências têm um ancoradouro que permite pegar no barco de manhã e vir pelos lagos até um ancoradouro junto à praia ou ir à zona comercial fazer compras ou tomar um café e comprar o jornal e depois regressar a casa. Acho que o próprio nome, cidade lacustre, é muito expressivo. É, de facto, uma cidade verdadeiramente única", prosseguiu.

Os promotores do projecto prevêem que a construção das infra-estruturas e dos lagos vá implicar um investimento de aproximadamente cem milhões de euros e que após a total construção de todos os espaços turísticos, comerciais e habitacionais o investimento total atinja os mil milhões de euros. Um investimento que a Lusort acredita não ser em vão e que necessariamente se traduzirá numa mais-valia para Vilamoura a vários níveis, inclusive em termos de valorização de toda a área envolvente.

Em termos de postos de emprego directo, as previsões iniciais apontam para a criação de mil postos de trabalho. Um número que já por si demonstra um dos impactos que  esta cidade lacustre vai trazer para o concelho de Loulé e concelhos vizinhos.

"Vai ter um impacto muito positivo de certeza. Esta cidade lacustre, à semelhança da outra parte de Vilamoura, tem uma capacidade muito grande para atrair e conquistar os turistas e os residentes, as pessoas da clássica segunda residência, mas também para de alguma forma capitalizar sobre o que são alguns clientes que resultam deste paradigma da globalização", comentou Jorge Moedas.

Com o número de profissionais que trabalham a partir de casa em sistema de teletrabalho a aumentar, os promotores da cidade lacustre acreditam que esta cidade cosmopolita construída em plena harmonia com a água irá ser escolhida por profissionais de todo o mundo como área de residência. "Profissionais que optam por locais mais confortáveis e aprazíveis para viver até porque também é o seu local de trabalho", acrescentou.

Para já, a empresa está a focar as suas atenções na parte formal do projecto e ainda não está a apostar fortemente na sua promoção além-fronteiras. Mas Jorge Moedas admite que sempre que o esboço tem passado por feiras internacionais conseguiu atrair atenções entre visitantes e empresários.

A promoção virá mais tarde, mas Jorge Moedas acredita que esta cidade lacustre passará a ser uma bandeira promocional de Vilamoura, do concelho de Loulé e do Algarve. "O entendimento que temos é que este será um projecto marcante, que vai fazer por Vilamoura, pelo concelho de Loulé e pelo Algarve, e eu diria pelo país, em 2010 o mesmo que a Marina de Vilamoura fez nos anos 73/74 quando foi inaugurada", afirmou.

"Quando em Vilamoura surgiu a marina, alterou um pouco o paradigma do turismo, criou um produto turístico novo muito atractivo que durante anos foi reconhecidamente o ex-líbris do turismo algarvio e português. Foi durante anos a única marina, foi durante anos o único local que, de facto, tinha estas características que tornaram Vilamoura especial", acrescentou. Contudo, a Lusort está convicta de que "os destinos e os produtos turísticos têm ciclos de vida e têm de ser renovados e nós entendemos que a cidade lacustre vai fazer por este destino e pelo Algarve o mesmo que a marina fez nos anos 70".

Ambiente, património e turismo de mãos dadas

Um dos maiores desafios deste projecto é a construção das zonas lacustres. Construídas de raiz, numa zona que arqueólogos e historiadores há muito garantem ser um verdadeiro tesouro escondido, já que acolheu outrora uma cidade romana, a preocupação com o património arqueológico bem cedo se impôs.

Afirmações que estão comprovadas pelos vestígios que estão a descoberto na Estação Arqueológica do Cerro da Vila, bem próximo da Marina de Vilamoura. Vão ter de escavar o espaço dos lagos e essas escavações vão ser acompanhadas por equipas de arqueologia, dada a presença comprovada de muitos vestígios naquela área, onde de resto existe um museu arqueológico.

"Nas zonas mais sensíveis já começámos a fazer escavações há mais de um ano, ou seja, na zona envolvente do museu, com a colaboração do IGESPAR e começámos a fazer alguma prospecção", explicou Jorge Moedas. "Aqui, como em tudo o resto, o importante é sermos próactivos. Identificar e se há algum potencial estudamos a situação. Obviamente que, posteriormente, terá de haver um acompanhamento de todo o outro projecto, mas já começámos antecipadamente a fazer esses trabalhos e estudos nas zonas críticas", assegurou o responsável pelas relações externas da Lusort.

Por outro lado, a equipa promotora pelo projecto da cidade lacustre teve de analisar qual o tipo de água que deveria utilizar para encher estes lagos. Se, inicialmente, as escolhas recaíam para a utilização de água doce, com as águas das ribeiras, águas tratadas pelas estações de tratamento, entre outras hipóteses, agora, os estudos de impacto ambiental vieram a defender a utilização de água do mar.

Contudo, levar a água salgada para estas zonas também foi motivo de prolongada reflexão, já que implicaria risco de infiltração de água salgada nos aquíferos daquela zona. "Acabámos por concluir, ao contrário do que estava inicialmente previsto, que a melhor opção era encher aqueles lagos com água salgada do mar", explicou Jorge Moedas. "Quando se começa um projecto destes tem-se de abrir horizontes e olhar para todas as hipóteses. E aqui também, o trabalhar com a equipa do estudo de impacto ambiental ao mesmo tempo teve bastantes vantagens", prosseguiu.

"O que há -  como é obvio  - é uma preocupação em impedir infiltrações e que tem a ver com algum impacto para os aquíferos mas também com a preservação da água naquele local e evitar a constante reposição de água", explicou, garantindo que a construção dos lagos vai implicar a utilização de diferentes técnicas para assegurar que não existem quaisquer infiltrações de água salgada.