Foi com a garantia de que não viria apenas para “marcar terreno” em nome do PCP que João Ferreira lançou a sua candidatura e é essa mensagem que quer reforçar, na reta final antes das eleições. No último dia da campanha oficial, a candidatura do candidato apoiado pelo PCP lançou uma nota em que dá destaque a todos os apoios que tem vindo a receber do lado do PS, seja de autarcas, ex-autarcas, dirigentes locais ou outros.
O ponto alto dessas demonstrações de apoios aconteceu logo na primeira semana de campanha, quando o comunista colocou na agenda um café com Isabel Moreira, deputada do PS e constitucionalista, para que esta lhe demonstrasse o seu apoio, frisando que este é o candidato que demonstra uma “adesão corretíssima aos poderes atribuídos pela Constituição” e que rejeita uma visão da Justiça "populista" - por contraste, por exemplo, com Ana Gomes, filiada também no PS. Durante a campanha, a assessoria de João Ferreira também fez saber, numa ação sobre Cultura em Guimarães, que contava com a presença de dois ex-vereadores do PS.
Desta vez, a candidatura volta a puxar pelos apoios socialistas para “confirmar a corrente dos que convergem na candidatura de João Ferreira”. São na sua maioria membros ou dirigentes de assembleias municipais e de estruturas locais do PS, destacando-se, por exemplo, Pedro Cegonho, deputado e ex-presidente da Associação Nacional de Freguesias. Também constam da lista Paula Marques, que tal como Ferreira é vereadora na Câmara de Lisboa; José Leitão, presidente da Assembleia Municipal de Lisboa; Albino Almeida, presidente da Assembleia Municipal de Vila Nova de Gaia e dirigente da mesma concelhia do PS; Eduarda Castro, ex-deputada; entre outros dirigentes regionais, ex-vereadores e presidentes de juntas. A lista não faz referência, por exemplo, a Ascenso Simões, que é deputado do PS e também declarou publicamente o apoio a João Ferreira, ou a Alfredo Barroso, embora inclua nomes socialistas que não desempenham nenhum cargo. Ao Expresso, fonte oficial da candidatura explica que isso acontece porque as pessoas mencionadas são apenas as que "manifestaram junto da candidatura intenção de que o seu apoio tivesse expressão pública", mas frisa "valorizar o apoio" também desses outros nomes.
A mensagem política de Ferreira nesta campanha tem passado exatamente por garantir que não quer ser “confinado” ao espaço do PCP e que quer receber votos de outros quadrantes, “independentemente das opções eleitorais do passado”. Para isso, tem-se apresentado como um nome que quer combater os populismos e que não está aqui apenas para “marcar terreno”, como é típico das candidaturas associadas a um partido (tem o apoio formal do PCP e do PEV). A dois dias das eleições presidenciais, a sondagem publicada por Expresso e SIC coloca Ferreira com 6% das intenções de voto, empatado com Marisa Matias - a intenção do candidato é crescer o mais possível além das fronteiras comunistas.
Texto atualizado com resposta da candidatura do PCP.