Partidos

Deputado do PSD renuncia ao mandato, depois de denunciar negócios do Governo da Madeira

17 janeiro 2023 19:44

Marta Caires

Marta Caires

Jornalista

homem de gouveia

Sérgio Marques sai de São Bento e da Comissão Política Regional depois de, em declarações ao Diário de Notícias, ter denunciado a influência dos grupos económicos dentro do PSD e de ter falado de obras inventadas

17 janeiro 2023 19:44

Marta Caires

Marta Caires

Jornalista

Primeiro começou por dizer que tinham confundido declarações em off, com afirmações em on, depois que tinha direito a ter opinião para, esta terça-feira, anunciar que, afinal, renuncia ao mandato de deputado do PSD eleito pelo círculo eleitoral da Madeira. A renúncia já foi comunicada ao presidente da Assembleia da República e ao líder dos sociais-democratas madeirenses.

Sérgio Marques, o homem a meio da polémica depois de declarações ao Diário de Notícias sobre os 47 anos de poder do PSD na Madeira, anunciou também, através da página no Facebook, que deixou de fazer parte da comissão política regional. E acrescenta que o faz para manter a condição de militante e com direito a opinião.

A renúncia surge a oito meses das eleições regionais e numa altura em que se sabe já que o PSD vai a votos coligado com o CDS. As declarações de Sérgio Marques, deputado e antigo secretário regional de Miguel Albuquerque, causaram estrondo por falar na ligação aos grupos económicos, nas obras inventadas e no ambiente dentro do partido. Marques não poupou críticas a Jardim e falou até de uma rivalidade entre Pedro Calado, presidente da Câmara do Funchal, e Miguel Albuquerque.

As declarações, que começou por dizer terem sido dadas em off - algo prontamente desmentido pelo jornal - levaram a oposição a pedir uma comissão de inquérito na Assembleia Legislativa da Madeira -, mas deixaram o partido em silêncio. Curiosamente, o único comentário veio de Jardim, que lembrou que sempre teve má opinião de Sérgio Marques.

De referir que Marques foi um dos seis candidatos à sucessão de Jardim nas internas de 2014, mas perdeu na primeira volta. Depois disso aliou-se a Miguel Albuquerque, foi convidado a integrar o governo, mas acabou por ser afastado na remodelação de 2017. Um afastamento que o mesmo alega ter sido por influência de grupos económicos.

Apesar de ter sido afastado, Miguel Albuquerque colocou-o como cabeça de lista para as eleições legislativas nacionais. Ao fim de quase nove anos a tentar manter o partido unido, o verniz estalou.