Política

"E agora, Ana Gomes?", pergunta Isabel Moreira

9 fevereiro 2015 9:35

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

Jornalista da secção Política

Deputada socialista escreve no Facebook que "isto das escutas é um nojo". Moreira demarca-se da eurodeputada Ana Gomes e confronta-a com a notícia do Expresso sobre erros nas transcrições das escutas dos submarinos.

9 fevereiro 2015 9:35

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

Jornalista da secção Política

"Isto das escutas é um nojo", escreveu a deputada do PS Isabel Moreira, ontem à noite, na sua conta na rede social Facebook. Um desabafo motivado pela notícia do Expresso sobre os erros nas transcrições das escutas a Paulo Portas no caso dos submarinos. Erros que deram contornos suspeitos a uma conversa de 2004 em que Portas falava de uma viagem ao Canal de Kiel, na Alemanha, e que, na transcrição feita pelo Ministério Público, se transformou numa conversa sobre "aquilo", na Alemanha, com um tal de "Canalis".

Essa transcrição, incluída no processo dos submarinos que foi arquivado em dezembro, foi um dos argumentos invocados pela socialista Ana Gomes para requerer, há duas semanas, a reabertura deste caso. A deputada do PS, que há muito defende que Portas terá recebido subornos pela sua decisão de comprar dois submarinos alemães, em 2004, viu nessa escuta uma possível ligação entre o caso dos submarinos e o processo Monte Branco, tendo levantado a suspeita de que o tal "Canalis" seria Michel Canals, o homem da empresa suíça Akoya, que está acusada de ter montado um esquema para esconder dinheiro de portugueses ricos.

Depois do Expresso noticiar, no passado sábado, que na referida escuta Portas nunca fala nem de "Canalis" nem de "aquilo", mas de "canal" e "Kiel", Isabel Moreira colocou um post no Facebook interpelando a sua colega de partido que está no Parlamento Europeu: "E agora, Ana Gomes?", questionou a deputada da Assembleia da República, num post com o link da notícia do Expresso. 

Contra o "justicialismo barato e vingativo"...

Ao longo do fim de semana, Isabel Moreira foi acrescentando vários comentários nesse seu post, em reação ao que iam escrevendo os seus seguidores. E neles fica clara a demarcação face à estratégias de "justicialismo barato e vingativo" - Moreira não o escreve preto no branco, mas fica evidente que se está a referir às demarches da eurodeputada do PS.

"É-me indiferente ser Paulo Portas, Passos, Costa, Catarina Martins, Jerónimo de Sousa... É o princípio insuportável de tentar deitar abaixo um adversário à conta do sentimento geral de que todos os políticos são uns malandros. É o princípio insuportável de carregar ódios pessoais para a justiça, usando-a, desta forma, como se vê, com escutas patéticas que por mim, além de mal transcritas já deviam estar destruídas. Eu quero derrotar Passos e Portas. Mas politicamente. Nas urnas. Não assim", escreveu a deputada. 

...e contra o "autêntico escândalo" das escutas

Isabel Moreria não se limita a rotular de "patéticas" as escutas como a que alimentou as suspeitas antigas de Ana Gomes. Considera-as "um autêntico escândalo", censurando a eurodeputada do seu partido por as ter usado para o combate político.

A deputada do PS vai mais longe e aponta os riscos que procedimentos como este por parte da Justiça colocam à democracia. "Imagine um dia ser confrontado com anos e anos de escutas", escreve em resposta a um comentário anterior, lembrando que "Portas é um de vários" a quem isto tem acontecido. "Nada é destruído. Esta coisa bela do 25 de abril de falarmos de política à vontade morreu. Falamos ao telefone, fazemos as nossas estratégias, e de repente descobrimos que é como na PIDE. Anos de escutas num caixote. Já nem falo da vida privada ali pelo meio como se fosse normal. Falo de política. No fascismo era perigoso falar de política. E agora?"