Política

“Quando se soube que a Jornada Mundial da Juventude vinha para cá, o PR disse: 'Portugal, conseguimos'. Eu diria: 'Portugal, esbanjámos'”

“Quando se soube que a Jornada Mundial da Juventude vinha para cá, o PR disse: 'Portugal, conseguimos'. Eu diria: 'Portugal, esbanjámos'”

O novo presidente da IL, Rui Rocha, pede "bom senso" na gestão da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) e lembra que está em causa o dinheiro dos contribuintes, defendendo que "obras faraónicas de utilidade duvidosa" não fazem sentido

O novo presidente da IL, Rui Rocha, pede "bom senso" na gestão da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) e lembra que está em causa o dinheiro dos contribuintes, defendendo que "obras faraónicas de utilidade duvidosa" não fazem sentido.

"O Presidente da República, quando se soube que a Jornada Mundial da Juventude vinha para Portugal, fez uma declaração efusiva e disse 'Conseguimos. Lisboa, Portugal, conseguimos'. Eu diria que agora olhamos para isto e dizemos "Lisboa, Portugal, esbanjamos'", responde Rui Rocha, em entrevista à agência Lusa, quando questionado sobre a polémica em torno da organização da JMJ.

Na opinião do novo líder da IL, "tem faltado genericamente é bom senso". O dirigente liberal considera que, tal como acontece noutros grandes eventos, "nada é preparado atempadamente", criticando "uma displicência na gestão" de todo o processo.

"Há um défice de gestão, há um défice de bom senso naquilo que são estes eventos e, em geral, na gestão das atividades públicas e do dinheiro público que no final do dia é dinheiro dos contribuintes. Isso é a preocupação que nós temos", enfatiza.

Apesar de as coisas não terem sido acauteladas antes, Rui Rocha defende que agora é "preciso tomar decisões" porque senão é a própria JMJ que "fica em causa" e seria "um vexame que Portugal não deveria correr o risco de passar".

"Creio que depois de uma discussão inicial, todos estamos de acordo que obras faraónicas de utilidade duvidosa, no mínimo, não fazem sentido e, portanto, o princípio do bom senso deve impor-se na gestão destas questões", afirma.

A entrevista à agência Lusa acontece duas semanas depois de ter sido eleito novo presidente da IL naquelas que foram as primeiras eleições internas disputadas para escolher o sucessor de João Cotrim Figueiredo.

Precisamente a questão da não eleição de João Cotrim Figueiredo, no início da legislatura, para a vice-presidência da Assembleia da República foi um dos pontos abordados, depois do desafio feito esta semana pelo PS no parlamento para que a IL apresentasse num novo nome ao cargo.

Reiterando que é um tema da competência da bancada parlamentar, Rui Rocha recorda que a decisão então tomada foi que o partido "reavaliaria eventualmente essa situação se houvesse uma mudança de circunstâncias".

"Nós temos uma clarificação do PS, mas não temos uma clarificação do PSD. É preciso, para além disso, que haja um deputado da IL que tenha o desejo de concorrer à vice-presidência, mas falta uma clarificação daquilo que justificou a não aprovação do João Cotrim Figueiredo e isso é fundamental para considerarmos que há uma alteração de circunstâncias", defende.

Na convenção de 21 e 22 de janeiro, o deputado Rui Rocha foi eleito o novo presidente da IL, tendo a moção apresentada pela sua lista à comissão executiva alcançado 51,7% dos votos, enquanto a lista da deputada Carla Castro teve 44% dos votos e a do conselheiro nacional José Cardoso 4,3% dos votos.

Depois da crispação e divisão patente na convenção, o novo líder diz ver um partido unido, assegurando que a IL vai "dia a dia, passo a passo, a partir de agora, demonstrar" que associa coragem à irreverência.

"E essa irreverência também tem a ver depois com a discussão interna. Nós não podemos querer o melhor de dois mundos. Não podemos querer um partido amorfo internamente que depois seja capaz de fazer um combate político como nós queremos fazer", justifica.

Sobre a revisão estatutária, processo que será aberto no Conselho Nacional de final de fevereiro e com o qual se tinha comprometido durante a campanha interna, o novo presidente refere que essas decisões serão tomadas pelos membros numa convenção para o efeito que espera que decorra até ao fim deste ano.

"Aquilo que nós identificamos na moção de estratégia e vamos, portanto, respeitar, são dois pontos fundamentais. Um tem a ver com a questão das inerências, ou seja, da presença da Comissão Executiva no Conselho Nacional, e será um ponto que vamos sugerir, e o segundo ponto tem a ver com as regiões autónomas da Madeira e dos Açores, em que há necessidade de, com a expansão que se prevê para a IL, depois ter algum tipo de estrutura que possa representar a IL junto dos governos regionais", elenca.

Sobre as inerências, há matérias que, na opinião de Rui Rocha, a presença deve ser reduzida e outras em que não deve existir, como é o caso do orçamento e das contas.

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