Política

PSD/CDS-PP rejeita audição de Albuquerque sobre favorecimentos a grupos económicos

25 janeiro 2023 14:49

homem de gouveia

PS, JPP e PCP votaram a favor do requerimento, enquanto a maioria PSD/CDS-PP votou contra, provocando o ‘chumbo’ do pedido de audição

25 janeiro 2023 14:49

A maioria PSD/CDS-PP rejeitou esta quarta-feira o pedido de audição do presidente do Governo madeirense requerida pelo Juntos Pelo Povo (JPP) sobre “alegados favorecimentos de grupos económicos por via do Orçamento Regional”, argumentando que já existe uma comissão de inquérito.

“O pedido audição visava ouvir o senhor presidente do Governo Regional, Miguel Albuquerque, os ex-deputados Sérgio Marques e Miguel de Sousa, o presidente do conselho de administração da AFA, José Avelino Farinha, e ainda o presidente do conselho de gerência do Grupo Sousa, Luís Miguel de Sousa”, disse o presidente da comissão especializada de Política Geral e Juventude, Jacinto Serrão.

PS, JPP e PCP votaram a favor do requerimento, enquanto a maioria PSD/CDS-PP votou contra, provocando o ‘chumbo’ do pedido de audição.

Ainda segundo Jacinto Serrão, que falava no final da reunião da comissão, “a maioria entendeu que, existindo já uma comissão de inquérito em curso, não se justificava esta audição”.

A comissão parlamentar de inquérito foi requerida pelo PS, o maior partido da oposição no parlamento madeirense (ocupa 19 dos 47 lugares no hemiciclo), e terá como objeto “o favorecimento dos grupos económicos pelo Governo Regional, pelo presidente do Governo Regional e secretários regionais e 'obras inventadas'”, suscetíveis de configurar a prática de diversos crimes.

No requerimento hoje chumbado, o JPP justificava o pedido de audição com a necessidade de esclarecer “a recente publicação na comunicação social de excertos de entrevistas (declarações) a figuras públicas do PSD/Madeira, nomeadamente Sérgio Marques e Miguel de Sousa”.

Citado recentemente pelo Diário de Notícias, o ex-deputado eleito pelo círculo da Madeira Sérgio Marques falou de alegadas “obras inventadas a partir de 2000”, quando Alberto João Jardim (PSD) era presidente do executivo madeirense, e grupos económicos que “cresceram com o ‘dedo de Jardim’”.

Sérgio Marques referiu que a governação de Jardim (antecessor do atual presidente, Miguel Albuquerque) “foi fantástica até 2000”, mas, considerou que “começaram [depois] a inventar-se obras, quis-se continuar no mesmo esquema de governo, a mesma linha, obras sem necessidade, aquela lógica das sociedades de desenvolvimento, todo aquele investimento louco que foi feito pelas sociedades de desenvolvimento".

Na rede social Facebook, o social-democrata explicou depois que estas declarações ao DN foram prestadas em ‘off’, no âmbito de um trabalho sobre os 47 anos com o PSD no poder na Madeira, numa “parte informal” da conversa, até porque “estão longe de ter atualidade e pertinência”.

O ex-deputado, que fez também parte do governo de Miguel Albuquerque como secretário regional do Assuntos Europeus e Parlamentares, entre 2015 e 2017, afirmou ainda que foi afastado do cargo por influência de um grande grupo económico da região.

Entretanto, anunciou a renúncia ao mandato e a saída da comissão política regional do partido, na sequência desta polémica.

Hoje, no plenário da Assembleia Legislativa da Madeira, o líder parlamentar do JPP, Élvio Sousa, lembrou também que, em 2017, Miguel Sousa (que foi nomeado secretário regional em 1984 e se tornou vice-presidente do executivo de Alberto João Jardim entre 1988 e 1992) criticou o “regime caduco” com “braço corrupto” e de um “capataz político, financeiro e empresarial” e “falou da política de esbanjamento de recursos financeiros” que a Madeira não tinha, o que “levou a região à bancarrota”.