Política

Defesa. Ex-secretário de Estado foi contra Cravinho na nomeação de diretor-geral detido

8 dezembro 2022 23:45

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

Vítor Matos

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luís barra

Tempestade Perfeita Seguro Sanches, que desencadeou o processo, foi contra a nomeação do diretor detido para a empresa estatal. Atual secretário de Estado justifica-se com CReSAP

8 dezembro 2022 23:45

Hugo Franco

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Vítor Matos

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Não foi apenas a oposição a considerar “imprudente” a nomeação de Alberto Coelho — o ex-diretor-geral de Recursos de Defesa Nacional detido esta semana na Operação Tempestade Perfeita — para a presidência da Empordef — Tecnologias de Informação (ETI). O então secretário de Estado da Defesa, Jorge Seguro Sanches, também foi contra a decisão do ex-ministro da Defesa, João Gomes Cravinho, apurou o Expresso junto de fontes da defesa. Mas o choque só de deu depois da informação ser pública. O secretário de Estado já tinha feito várias diligências, que contribuíram para desencadear as investigações judiciais que culminaram esta semana com a detenção de três altos quadros do Ministério da Defesa e dois empresários, destapando uma rede que já vai em 19 arguidos.

O conflito entre ministro e secretário de Estado percebe-se pela sequência das decisões de ambos. Quando Cravinho apontou Coelho para a empresa estatal, Seguro Sanches já tinha feito dois despachos negativos para a então Direção-Geral de Recursos de Defesa Nacional (DGRDN). O primeiro, a 24 de julho de 2020, constatava a derrapagem de €750 mil para €3,2 milhões nas obras de transformação do ex-Hospital Militar de Belém (ex-HMB) em centro para doentes com covid-19: a despesa não tinha sido autorizada por si, o diretor-geral tinha extravasado as competências legais e Seguro Sanches dava conta da resistência ou recusa de Alberto Coelho em fazer a “discriminação dos valores totais”, contratos e valores adjudicados. O despacho daria origem a uma auditoria da Inspeção-Geral da Defesa.