Política

PSD tenta escapar ao Chega

26 novembro 2022 8:36

rodrigo antunes/lusa

Ao travar comissão de inquérito, PSD tenta não ficar colado ao Chega. Mas deputados criticam atitude “titubeante” do partido

26 novembro 2022 8:36

O PSD fez saber que não avança, para já, com uma comissão de inquérito parlamentar na sequência das acusações de Carlos Costa, ex-governador do Banco de Portugal, ao primeiro-ministro. Em vez disso, a bancada parlamentar endereçou 12 perguntas a António Costa relacionadas com a gestão do BIC e o processo de venda do Banif. O partido não quis adiantar os motivos desta decisão, mas o Expresso sabe que são essencialmente dois: por um lado, pareceria que ia a reboque do Chega, que propôs uma comissão de inquérito e pediu os votos do PSD para a fazer aprovar; por outro, sobretudo o caso Banif é considerado “tóxico” e desenterrá-lo poderia provocar estilhaços na atual direção social-democrata.

A porta, contudo, ficou entreaberta e tanto o líder do partido como o líder da bancada admitem que, no futuro, o PSD poderá mesmo propor uma comissão de inquérito. Tudo dependerá do grau de satisfação com as respostas do primeiro-ministro. A decisão provocou desconforto entre alguns deputados, o que não é inédito numa bancada que não foi escolhida pelo atual líder do partido, Luís Montenegro, mas pelo seu antecessor, Rui Rio. O desconforto tem pelo menos duas razões de ser. Primeiro, porque os deputados ouvidos pelo Expresso confirmam que a decisão não foi discutida em reunião do grupo parlamentar, tendo emanado da direção do partido, o que, mais uma vez, secundariza o papel dos deputados e coloca o líder parlamentar, Joaquim Miranda Sarmento, como “mera correia de transmissão” da cúpula. Depois, porque a simples admissão da hipótese de se avançar com uma comissão, num cenário de maioria absoluta socialista, e a indefinição durante alguns dias sobre o caminho a seguir denotam um partido “titubeante” e sempre no risco de cair nas “armadilhas do Chega”.