Política

António Costa diz que Internacional Socialista precisa de nova energia

26 novembro 2022 18:02

Pedro Sánchez e António Costa no XXVI Congresso da Internacional Socialista em Madrid

chema moya/epa

“A Internacional Socialista precisa mesmo de energia renovada para poder recuperar muitos partidos que se foram afastando”, disse o primeiro-ministro, e líder do PS, António Costa

26 novembro 2022 18:02

O secretário-geral do PS, António Costa, defendeu, este sábado, que a Internacional Socialista "precisa mesmo" de energia renovada e considerou um passo importante nesse sentido a eleição do espanhol Pedro Sánchez como novo presidente da organização.

"A Internacional Socialista precisa mesmo de energia renovada para poder recuperar muitos partidos que se foram afastando, para poder modernizar a sua abordagem em temas que são hoje prioritários na agenda global", como as aliterações climáticas, a igualdade de género ou a "transição justa" digital e ecológica, afirmou.

António Costa falava em Madrid, no XVI Congresso da Internacional Socialista, organização que integra mais de 130 partidos socialistas, social-democratas e trabalhistas de todos os continentes e que elegeu, na sexta-feira, Pedro Sánchez como novo presidente.

À frente da Internacional Socialista, fundada em 1951, já estiveram os antigos primeiros-ministros Willy Brandt (Alemanha, entre 1976 e 1992), Pierre Mauroy (França, de 1992 a 1999), António Guterres (Portugal, entre 1999 e 2005) e George Papandreou (Grécia, de 2006 a 2022).

"Mais do que nunca precisamos de uma organização global", afirmou António Costa, considerando que isto mesmo ficou provado com a guerra na Ucrânia ou a pandemia de covid-19.

"Com desafios globais como são as alterações climáticas é necessária uma resposta global, não basta uma resposta europeia, africana, da América Latina ou asiática", acrescentou, dizendo que, neste contexto, a Internacional Socialista é um "fórum importante de debate, de diálogo", com "uma longa história portadora de valores" que "correspondem sempre à defesa da liberdade, da democracia, das igualdades, entre outros".

Partidos que são "verdadeiros faróis da social-democracia", como os da Suécia ou Alemanha, afastaram-se da Internacional Socialista, devido a "problemas internos" da organização, mas o congresso de Madrid é um "passo muito importante para se poderem ultrapassar", considerou.

"E a eleição de Pedro Sánchez é um passo decisivo para isso", assim como a eleição, também na sexta-feira, para secretária-geral da organização, da "jovem ganesa" Benedicta Lasi, defendeu o também primeiro-ministro português.

António Costa participou hoje em Madrid numa sessão sobre "a política energética europeia, o caso da Península Ibérica" do XXVI Congresso da Internacional Socialista, com o primeiro-ministro espanhol e líder do Partido Socialista de Espanha (PSOE), Pedro Sánchez.

Nessa sessão, ambos se congratularam com a adoção e resultados do "mecanismo ibérico" que limitou o preço do gás usado para produzir eletricidade, com o acordo de Portugal e Espanha com França para novas ligações para transporte de energia ou a aposta feita na Península Ibérica nas renováveis.

Sánchez defendeu que Portugal e Espanha estão "na vanguarda" em termos de políticas energéticas, não só em termos ambientais, mas também a nível de "segurança e soberania energética", e disse que os fundos europeus disponíveis neste momento são uma "grande oportunidade" nesta matéria.

"Acredito que também temos de criar utopias e estas utopias ibéricas são sempre boas para o conjunto da Europa. E a utopia de converter a Península Ibérica na Europa no maior fornecedor de hidrogénio verde, que vai ser a energia do futuro, eu penso que é uma realidade e uma aposta ganhadora para Portugal e Espanha", afirmou.

Na mesma sessão, António Costa defendeu que a resposta europeia "de solidariedade" à crise da pandemia "foi um sucesso", ao contrário da de "austeridade, que foi uma tragédia", dada em 2011 à crise financeira.

Considerando que é preciso aprender com estas lições, o líder do PS português defendeu que sejam adotados "instrumentos permanentes" de resposta, para proteger as empresas, as famílias e a economia, porque já se sabe que "as crises são recorrentes".