Política

“Dez anos é demais.” O cansaço de Marcelo

25 novembro 2022 23:11

Declarações sobre Catar aumentaram críticas ao PR. Belém diz que exigência e gozo se mantêm mas Marcelo fala de anos “brutais”

25 novembro 2022 23:11

Marcelo Rebelo de Sousa cumpre em janeiro o sétimo ano da sua primeira eleição para Presidente da República e o número sete (não tem nada a ver com CR7 ou com o Catar) é mágico na cabeça do Chefe de Estado. Há mais de 20 anos, quando ainda andava pela liderança do PSD, Marcelo começou a firmar uma teoria segundo a qual o ideal seria o Presidente ter um único mandato e que não excedesse os sete anos. Disse-o de forma exuberante em janeiro de 2014, em conversa com Judite de Sousa na TVI — “Dez anos para um Presidente é demais”. E embora na altura o contexto fosse de análise à presidência de Cavaco Silva que se aproximava do fim pelas ruas da amargura, a convicção do então comentador encaixa hoje sem esforço na pergunta que por aí corre: o que se passa com Marcelo?

A palete de cores do comentariado é berrante: lê-se que o Presidente se banalizou e banalizou a função, que esbanjou gravitas, que fala e não marca, que cada vez são menos os que o levam a sério, que se atropela nas palavras, que diz que não disse o que disse mas não queria dizer, que está mais velho e cansado, que parece um entertainer, que faz o que não deve e não faz o que deve, ou que, como adora repetir José Miguel Júdice, que com ele mantém um amor/ódio de estimação, Marcelo apenas usa o seu imenso poder (terá?) para “ajudar as velhinhas a atravessar a rua”. As sondagens não confirmam o terramoto, pelo contrário, enquanto se aguardam estudos com os efeitos das gafes do Presidente sobre direitos humanos no Catar ou abusos na Igreja, a queda registada em outubro pela Aximage mantinha-o como o político mais popular, acima dos 60%. Mas a teoria do número sete aguenta-se e é o próprio Marcelo a sustentá-la.