Política

Autarca de Viana do Castelo diz que Miguel Alves "tomou melhor opção" com demissão

15 novembro 2022 16:03

O secretário de Estado Adjunto do primeiro-ministro, Luís Miguel da Silva Alves, durante a cerimónia de tomada de posse, que decorreu no Palácio de Belém, em Lisboa, em setembro de 2022

antónio cotrim

Luís Nobre adiantou que, “independentemente das razões, da fundamentação jurídica, administrativa, formal que possa estar associada, [Miguel Alves] tomou a melhor decisão”

15 novembro 2022 16:03

O presidente socialista da Câmara de Viana do Castelo, Luís Nobre, disse esta terça-feira que o ex-autarca de Caminha e ex-secretário de Estado Ajunto do primeiro-ministro, Miguel Alves, tomou a "melhor opção" ao demitir-se para se "defender".

"Tomou a melhor opção perante toda a situação que se levantou e a pressão que criaram. Afastar-se e defender a sua honra. Até prova em contrário, temos de acreditar na sua inocência", afirmou.

Em declarações aos jornalistas no final da reunião camarária, Luís Nobre adiantou que, "independentemente das razões, da fundamentação jurídica, administrativa, formal que possa estar associada, [Miguel Alves] tomou a melhor decisão".

"Em circunstâncias idênticas faria o mesmo", sublinhou, adiantando que "a pressão mediática" em torno deste caso "cai, diariamente, sobre quem exerce mandatos autárquicos, que lhe foram confiados pelos concidadãos".

Luís Nobre referiu que é preciso ter a "consciência" que a "atenção" sobre os autarcas "é muito grande". "Todos os autarcas tentam tomar as melhores decisões, em defesa dos interesses dos seus concidadãos", observou o presidente da câmara da capital do Alto Minho.

Miguel Alves demitiu-se, na quinta-feira, do cargo de secretário de Estado Adjunto do primeiro-ministro na sequência da acusação, por prevaricação, deduzida pelo Ministério Público (MP) quando era presidente da Câmara de Caminha.

O MP diz que Miguel Alves, enquanto presidente da Câmara de Caminha, violou normas de contratação pública, quando acordou com a empresária Manuela Couto a prestação de serviços de assessoria de comunicação para o município.

Hoje, a Procuradoria-Geral Regional do Porto (PGRP), esclareceu que a investigação que levou o MP a acusar o antigo autarca de Caminha Miguel Alves de prevaricação teve origem "em denúncia anónima" e não noutro processo.

O esclarecimento surge depois de, na quinta-feira, a Procuradoria-Geral da República (PGR) ter respondido a vários órgãos de comunicação social que a investigação "teve origem em certidão extraída da denominada 'Operação Teia'".

No sábado, "mediante manifestação de vontade apresentada, por escrito", ao presidente da mesa da comissão política da Federação Distrital do PS de Viana do Castelo, Vítor Paulo Pereira, Miguel Alves renunciou ao lugar de presidente daquela estrutura partidária.

A distrital socialista informou, na segunda-feira, que vai reunir-se com "urgência" para aprovar o calendário de novas eleições e desconvocar o congresso distrital, marcado para 26 de novembro.

ABC (JGS) // JAP

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