Política

NATO. Portugal "satisfeito" com a inclusão de África no conceito estratégico da NATO

A ministra da Defesa, Helena Carreiras, explicou num debate, em Madrid, porque era importante considerar a fronteira sul nas preocupações da NATO. Os problemas de África, potenciados pela presença russa, são uma ameaça para a Europa.

29 junho 2022 16:43

Vítor Matos

Vítor Matos

Jornalista

Portugal, Espanha e os países do Sul com interesses na segurança do Mediterrâneo e no Norte de África, conseguiram introduzir um ponto no novo conceito estratégico da NATO a reconhecer que os "conflitos, fragilidade e instabilidade" em África, na região do Sahel e no Médio Oriente, afetam a segurança dos aliados e parceiros da NATO no flanco sul. . Era um dos objetivos de Espanha, o país anfitrião, como o Expresso noticiou.

Os problemas demográficos, económicos e políticos destas regiões, são "terreno fértil para a proliferação de grupos armados, incluindo organizações terroristas", pode ler-se no documento conhecido na tarde desta quarta-feira. Esta realidade, acrescenta o texto, fornece a oportunidade de "interferências coercivas e desestabilizadoras por competidores estratégicos", leia-se Rússia e China. Os mercenários do Grupo Wagner russos estão presentes em quase todos os países do Sahel, como o Mali ou a República Centro Africana.

Quase em simultâneo com a divulgação do documento, a ministra da Defesa, Helena Carreiras, participava num painel moderado por Kristina Kraush, do German Marshall Fund, em que explicou a necessidade de dar atenção ao sul e se manifestou "satisfeita" com a inclusão deste ponto: "Há outras preocupações. A NATO está a olhar para o leste, mas não podemos esquecer as ameaças que vêm de áreas muito diferentes". Neste momento Portugal tem uma companhia de comandos ou de paraquedistas na República Centro Africana.

Segundo a ministra portuguesa, "do flanco sul, vêm ameaças causadas pela "insegurança alimentar ou a disrupção das cadeias de abastecimento e uma variedade de outras ameaças relacionadas com condições económicas e sociais". Estas causas, afirmou Helena Carreiras, devem ser tomadas em consideração, tal como a "instabilidade política que dá espaço a um aumento da influência da Rússia, de grupos paramilitares presentes, como campanhas híbridas juntos dos nossos parceiros, que devemos monitorizar e enfrentar, que o novo conceito deve reforçar".

Se a NATO quer ter uma visão a 360º, Vladimir Putin também o faz, concordou a ministra portuguesa, "porque a Rússia está presente em todas estas áreas, em África, no Atlântico, às quais não podemos deixar de dar atenção". Segundo Helena Carreiras, a NATO "é uma aliança regional, mas deve estar preocupada com as fronteiras a sul, porque a nossa segurança também depende da segurança dos nossos vizinhos". E reforçar o diálogo com o Mediterrâneo.