Política

Jerónimo ao ataque a Costa: "Alinhou na demagogia liberal de que o problema está apenas nos impostos"

27 junho 2022 13:39

rui minderico/lusa

Jerónimo de Sousa diz que “não é aceitável” que face à “espiral de aumento de preços há praticamente um ano” se utilize as “sanções a pretexto da guerra” como justificação, enquanto o Governo recusa “medidas de controlo de fixação de preços”

27 junho 2022 13:39

O secretário-geral comunista criticou esta segunda-feira o Governo socialista por “alinhar na demagogia liberal” no que diz respeito ao aumento do preço dos combustíveis, enquanto transforma as “juras de amor” às funções sociais do Estado num exercício de retórica.

“Há uns meses o Governo PS recusou as propostas do PCP [sobre o aumento do preço dos combustíveis] e preferiu alinhar na demagogia liberal de que o problema está apenas nos impostos e não na forma como os grupos económicos fixam os preços a seu bel-prazer”, considerou Jerónimo de Sousa, numa intervenção no arranque das jornadas parlamentares do partido, em Palmela (Setúbal).

Jerónimo de Sousa reconheceu que, “desde então, a receita que o Estado arrecada com os impostos sobre os combustíveis por ter eventualmente sido reduzida”, mas os preços continuam a subir e os portugueses “pagam hoje o gasóleo e a gasolina bem mais caros”.

O dirigente comunista sustentou que este problema não afeta apenas quem se desloca com o próprio carro, mas também todos os micro, pequenos e médios empresários, corporações de bombeiros e instituições que viram os seus encargos aumentar com o aumento do preço por litro de combustível.

O problema não é de agora, lembrou Jerónimo de Sousa, e “não é aceitável” que face à “espiral de aumento de preços há praticamente um ano” se utilize as “sanções a pretexto da guerra” como justificação, enquanto o Governo recusa “medidas de controlo de fixação de preços”.

Atendendo à saúde e aos problemas que há no Serviço Nacional de Saúde (SNS), mais recentemente com o encerramento de serviços de urgência de obstetrícia, o secretário-geral do PCP criticou o executivo de António Costa por manter opções “que transformam em mero exercício de retórica as juras de amor às funções sociais do Estado” com que o PS “enche os seus discursos”.

“Uma ausência de resposta que o PS não só não quer assumir como pretende transferir para cima do poder local em prejuízo das populações e das autarquias”, completou.

O número insuficiente de profissionais de saúde sem condições de atratividade que os incentivem a permanecer no SNS, aliado ao desinvestimento nas infraestruturas e equipamentos que garantam a generalidade dos serviços médicos, faz parte de objetivo dos privados para “ter a saúde a duas velocidades”.

“Para a imensa maioria da população um SNS desqualificado, com pouco investimento e responsável por tratar aquilo que não dá lucro”, enquanto para “uma minoria de ricos os melhores e mais avançados cuidados de saúde que o dinheiro pode pagar, preferencialmente por via de seguros para que só no momento de doenças os clientes se apercebam onde se lhes acaba o direito”, argumentou o líder comunista.

Jerónimo de Sousa apontou novamente aos liberais e disse que “não faltam por esse mundo fora exemplos de sociedades liberais” onde esta a realidade na saúde e “também não faltam em Portugal liberais e outros que tais a defender o mesmo destino” para os portugueses.

Oito meses depois, o secretário-geral do PCP considerou que hoje “os portugueses podem ver quão justas eram as reservas em dar aval àquele Orçamento do Estado que o PS apresentou”.

E prosseguiu: tal como naquela altura e nos meses seguintes, o Orçamento apresentado pelo Governo só tinha um propósito “tirar vantagens eleitorais” da crise política que se seguiu.

Jerónimo de Sousa disse que as primeiras jornadas parlamentares desta legislatura pretendem dar voz às preocupações da população da Península de Setúbal, demonstrando ao mesmo tempo que não são exclusivas desta região.